segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Não vou nem escrever um título.

Estou aqui para falar sobre a minha visão do que é o feminismo. Por esse motivo, não quis colocar título nenhum no meu texto. Acontece que o conceito dessa palavra já foi tão deturpado que eu sei que algumas pessoas apenas clicariam no link por dois motivos principais: 1) elas são feministas e acham que eu vou escrever um texto que venha de encontro com as suas visões sobre o assunto; 2) elas são contra o feminismo por qualquer motivo que seja. Esses dois tipos de leitores normalmente já entram muito emocionais no assunto. Acho ótimo esse tipo de comoção, mas não é o meu objetivo. Gostaria de ser mais racional aqui; pelos menos hoje. Fiquei muito tempo calada sobre a minha opinião em relação ao feminismo que, hoje, rege num infinito prisma de conceitos. Porém, acho que tenho o direito de me expressar sobre esse assunto tão importante e tão em voga hoje em dia, felizmente. Mas gostaria de fazê-lo sem que as pessoas fiquem raivosas e/ou muito chocadas por eu não ter a mesma opinião do que elas. Desta forma, gozo do meu direito aqui no meu blog. O blog no qual eu assumo que tudo é relativo. Assumo inclusive em vários posts que não sei nada da vida. Estou aqui apenas pra explanar o que eu entendo sobre alguns assuntos, mesmo não entendendo nada deles. Portanto, espero que você não se sinta ofendido (lembrando que a letra "o" no final dessa palavra a torna neutra e não masculina, valendo assim, para ambos os sexos) se nossas opiniões forem tão diferentes. Espero que você saiba que vivemos numa democracia e que cada um pode pensar da maneira que quiser. Espero que você, principalmente, entenda que não é só porque você acredita em um conceito que ele necessariamente tenha que ser uma verdade absoluta e de todos. Estamos entendidos? Amigos?! O.K. Agora dá pra começar a discursar sobre o assunto; com a mente calma e tranquila a ponto de conseguir raciocinar ao invés de apenas argumentar a fim de querer estar sempre certo. 

Sei bem pouco da história do feminismo. Sobre suas raízes eu pouco pesquisei. Digo que pouco, apesar de já ter lido bastante sobre o assunto, porque há uma imensidão de atos feministas por aí que a gente nem se dá conta. Vocês, donas de casa, estudantes, trabalhadoras assalariadas, mães, etc. A maioria de vocês faz o seu papel todos os dias para a contribuição de um mundo mais igualitário para as mulheres, simplesmente por gozarem da liberdade de ir e vir, e representar essa liberdade com muito estilo. Parabéns a todas. Portanto, é impossível saber tudo sobre o feminismo. Pra mim, ele começou desde sempre. Acredito que a luta pelo lugar da mulher no mundo acontece desde a primeira mulher que se posicionou em relação a alguma injustiça contra o seu sexo. Mesmo que essa tenha sido uma mulher das cavernas. Talvez elas tenham sido inclusive as responsáveis pelo início. 

Meu trabalho de final de curso da faculdade de letras foi sobre uma puritana dona de casa. Ela foi a primeira poeta a ser publicada nos Estados Unidos da América. Ela foi a primeira poeta mesmo. Nenhum homem antes dela havia sido publicado oficialmente. Ela escrevia poemas sobre sua devoção pelo marido e filhos. Era uma mulher dona de casa e muito guerreira que sofreu muito para manter sua família viva na vinda para o Novo Mundo. Um dona de casa foi a primeira poeta a ser publicada. Alguém aí entende a intensidade desse ato feminista? E talvez ela nem soubesse que estava fazendo parte desse movimento. Ela estava simplesmente criando arte com a ajuda do amor que sentia pela sua família. Como eu disse antes, fazendo a parte dela. 

O que eu quero dizer com isso tudo é apenas uma introdução ao assunto. Primeiramente, ao meu ver, somos todas feministas se estamos fazendo qualquer coisa que nos é de direito. Sair para trabalhar, ficar em casa cuidando da família, estudar, dirigir, ter uma opinião... Tudo isso faz parte de um protesto de dentro para fora, e não de fora para dentro. Não trabalhamos para provar que somos boas feministas. Não cuidamos da casa para clamar que somos excelentes mulheres. Fazemos tudo isso porque é nosso direito. Direito esse que muitas mulheres em outros países não possuem. Isso nos leva ao meu próximo ponto.

Algumas pessoas simplesmente não fazem ideia da falta de respeito para com as mulheres em outros países, culturas, religiões, etc. São mulheres que são estupradas mesmo andando pela rua apenas de burca; apenas com os olhos aparecendo. Mulheres que são obrigadas a casarem com pessoas que não conhecem. Mulheres que não podem fazer nada sem pedir permissão. São prisioneiras apenas por terem nascido mulher. E é nesse tipo de absurdo que eu acho que o feminismo deveria focar. 

Eu não sou de acordo com alguns protestos que as pessoas fazem debaixo da sombra do feminismo. É muito audacioso querer conceituar o feminismo, porque hoje em dia há muitas formas dele. Mas, de qualquer seja a forma, com algumas atividades eu discordo. Eu discordo por exemplo que a língua portuguesa seja machista. Se você, mulher, não pode ser chamada de aluno, o poeta também não deve se sentir feliz em ter sua profissão nomeada por uma palavra feminina, certo?! Nem o dentista, o massagista, o eletricista, etc. As palavras são femininas e masculinas, e isso pouco tem a ver com o sexo das pessoas. E acho que toda essa revolta contra a língua portuguesa pouco tem a ver com feminismo. Acho que é uma faceta dos diabos para desviarmos a nossa atenção do que realmente merece (mentira, não acredito em diabo, gente). Tampouco acredito que eu tenha que fazer uma coisa só porque os homens fazem. Acredito sim que devamos ter direitos iguais, mas isso não me obriga a ser igual. Não quero ser iguais aos homens e nem igual às mulheres. Quero ser eu. Quero ter o direito de me vestir, de falar, de fazer o que eu bem entender, dentro das leis (que não podem favorecer gênero, etnia, classe social e nem religião). Desta forma, acredito que essa coisa de que as mulheres são forçadas a terem o corpo perfeito, a se depilarem, ou a qualquer coisa do tipo é simplesmente uma boa perda de tempo. Ninguém é forçado a nada. A mídia só consegue impor o que as pessoas aceitam. Sanidade psicológica não é só efeito externo. As pessoas têm que saber lidar com o que as afetam. Se as mulheres na TV são sexualizadas e eu acho que isso não condiz com quem eu sou, simplesmente não serei igual. O que eu não posso é querer obrigar todas as mulheres a se dessexualizarem (inventei ou tá certo?). 

A questão do aborto, ao meu ver, é bem simples. Não é porque é o corpo da mulher, é a escolha dela. É porque simplesmente a ideia de "fecundou, é vida" não é verdade. Nem cientificamente, e nem logicamente. Se fosse assim, ninguém tomava a pílula do dia seguinte.  Acho que há de ter uma coerência. Se há sofrimento da parte do feto por ele já ter se formado, acho sim um absurdo. Ninguém merece sofrer nas mãos de outra pessoa; independente de qual for o motivo. Caso contrário, caso o feto ainda não seja formado o suficiente para sentir (terminações nervosas, vamos falar de ciência. Science, bitch!), não há razão lógica para que a mãe seja obrigada a manter uma gravidez indesejada, independente de quais sejam os motivos. Acredito sim que o pai da criança tem o direito de participar dessa decisão, se ele for arcar com o dever de cuidar da criança também. Enfim... essa história ainda é muito nova na minha cabeça. Nunca quis ter filhos e simplesmente me previno para não ter. Se algum dia o contraceptivo não funcionar, não sei o que eu faria. Não tem como eu saber. Ainda não consigo prever o futuro. Acontece que há meninas que não são instruídas como eu. E elas não podem pagar só porque "o aborto vai banalizar"; o que na verdade não é o que acontece em países que o aborto é legal (mesmo em comunidades com pouco acesso a informação, o número de pessoas abortando não aumentou; apenas o número de óbitos que diminuiu). Respeito quem acha que é errado. Mas se estamos vivendo numa democracia de país laico, o aborto deveria ser legal, sim. Mas se você acha que não, respeito a sua opinião, e não vou achar você uma pessoa pior por isso.  

Acho que misturei um pouco os assuntos, mas a conclusão de tudo, de acordo com a minha visão bem leiga sobre o assunto chamado "vida e seus milhões de problemas", é que o feminismo é muito mais do que reivindicar sobre a língua portuguesa e suas expressões. É muito mais do que recriminar mulher que gosta de ser mandada pelo marido/namorado, ou que prefere não se intitular feminista. Algumas preferem não serem chamadas disso exatamente pela falta de repeito para com a escolha das outras pessoas que algumas feministas demonstram. É muito mais do que simplesmente ter raiva do pau. Uma novidade: nem todos os homens estupram; nem todos os homens são filhos da puta (olha, uma expressão machista! ir pra casa do caralho também é algo ruim e nem por isso o caralho é ruim, gente); nem todos os homens devem ser sentimentais como você acha que eles devem ser. Mas eles podem, se quiserem. Homens devem ser da forma que quiserem, assim como você, mulher. Homens não podem infringir as leis (tal como estuprar), mas ainda assim alguns o fazem. Assim como mulheres também infringem leis o tempo inteiro; mas algumas não. Assim como muitas mulheres são chatas demais, enquanto outras não. Não dá pra tachar pelo gênero. Não sou igual a você. Não somos nem parecidos. Mas precisamos ter direitos iguais assim mesmo. Todos devem ter direitos iguais, mas isso não nos torna iguais uns aos outros. E fico muito feliz por isso, apesar dos pesares dessa verdade. 

Histórico desopilante

Dando uma passeada pelo histórico do blog, resolvi reler os arquivos dos meses que eu mais escrevi - devido ao fato de eu estar diminuindo a produção, - e vi um post meu sobre a análise de um filme que fiz como trabalho da faculdade. Para a minha surpresa, muitas pessoas leram a análise, comentaram, criticaram e até se xingaram no meio dos comentários. A coisa foi mais ou menos assim: Eu tinha que escrever a análise crítica de um filme muito bom para uma matéria da faculdade muito boa também. Porém, nunca fui boa aluna. Nunca gostei de escrever análises, porque eu sempre entendia tudo diferente do que era pra entender. Faço isso até hoje. A não ser que eu veja um filme por puro prazer; aí eu entendo tudo direitinho. Contudo, eu precisava escrever aquela maldita análise. Escrevi. Lembro que o professor não aprovou muito, mas era bem flexível comigo e me deu os pontos que eu precisava; mas somente depois de deixar claro que eu não havia entendido o filme. Assim mesmo, postei a análise aqui no blog. Eu gostava de postar trabalhos da faculdade porque, querendo ou não, era alguma produção escrita. Hoje, relendo, vi que era uma encheção de linguiça minha mesmo, cheio de erros de ortografia, sintaxe e pontuação, mas com algum sentido. No entanto, o mais importante foi o fato de tanta gente vir comentar. Tanta gente tipo umas dez. Pra mim isso já é muito. Isso quer dizer que pelo menos dez pessoas leram o que eu escrevi, mesmo que sendo uma pilha de baboseira. Independente de certo ou errado, muita gente me agradeceu pela análise. Uma pessoa em particular me explicou o que eu havia entendido errado e ainda me disse que mesmo assim adorou minha análise. Ou seja, gentilmente me consertou. Se importou. Eu havia esquecido como é sensacional receber feedback sobre o que eu escrevo; aqui, ou em conversas fora daqui. Um dos motivos de eu ter diminuído a produção foi a sensação de que não estava escrevendo pra ninguém. Se fosse pra ninguém ler, eu podia muito bem escrever só pra mim, e não publicar. Que é o que eu tenho feito. Mas ler esses comentários hilários hoje (provavelmente de graduandos desesperados porque não entenderam o filme, assim como eu), senti de novo o gostinho que é ter gente visitando o blog e mesmo não me conhecendo, se importando a ponto de deixar comentário malcriado para o anônimo que disse que eu não havia entendido nada do filme. Achei muito válida a interação. Já escrevi tanta besteira aqui... Já escrevi bastante coisa que fez sentido (pelo menos pra mim)... Algumas coisas que eu reli me fizeram ver o quanto eu mudei, e outras me fizeram ver o quanto eu mantive alguns pensamentos. Alguns pensamentos não tão inconstantes assim. Acho que a segunda melhor parte de escrever um blog é essa: o registro das suas ideias. A primeira, obviamente, é saber que as pessoas se identificaram e/ou odiaram. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Como lidar?

Acho bem admirável quem sabe lidar bem com as coisas da vida. Uma façanha. Eu sempre tenho que processar tudo, num período longo e dramático. Como as pessoas superam ou se forçam a superar coisas que, para mim, leva anos. Se eu esqueço alguma coisa ruim que me aconteceu muito rapidamente, acabo com a sensação de que o que aconteceu não me foi importante; não me causou impacto. Eu preciso que as coisas que eu vivo me causem grande impacto. Inclusive as coisas ruins que, no final das contas, construíram quem sou hoje: um ser ainda em construção. Se eu deixo passar, esqueço, ou me esforço para superar rápido demais algum fato por ele ser doloroso, sinto não estar dando valor ao processo da minha vida. E isso é tanto prejudicial quanto benéfico. Ou quem sabe um mais do que o outro. As pessoas sabem "deixar pra lá" (ou, como disse anteriormente, se forçam a deixar) certas coisas da vida que de fato só permitem o retrocesso. O fato é que eu nunca sei distinguir quais momentos deixar para trás e quais não. Nem sei o momento de deixá-los para trás. Fico remoendo aquilo de forma que possa extrair todo e qualquer ensinamento quando, certas vezes, extraio somente tortura. Não sou uma pessoa que exala pesar; de forma alguma. Pelo menos hoje menos do que antes. Contudo sempre tento fazer durar, relembrar, remoer o que já passou ou deveria ter. Talvez para que eu não me esqueça e aprenda. Não temos de aprender com a vida? Deixar pra lá me parece abandonar parte a minha história. Até que, finalmente, eu abandono mesmo e vejo que já não era sem tempo. Seria bom mesmo saber quais fatos não farão tanta diferença assim sobre quem eu sou ou me tornarei. Mas não sei distinguir. E fico intrigada como as outras pessoas conseguem. Gostaria de aprender. Não fazer tanto drama. Que coisa esplêndida! Muito tempo não seria perdido. Mas será que é tempo perdido? Eu simplesmente não sei. É tudo tão relativo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A long path full of bliss

A long path full of bliss
Even with the darkest duskness
No dimness forestalled the sunshine kiss

Whenever facing the abyss
Try and feel all the wind boldness
Otherwise, eventually, that you might miss

A tough journey of great joy
All and only yours to be fully lived
The life dream nobody else could ever destroy
Unless you have, through life, only and simply survived