sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O fracasso do fim do mundo.

Lembro-me bem deste ano. 2012. Todos especulavam e faziam até piadas com essa coisa toda do mundo acabar. Algumas pessoas nos Estados Unidos guardavam mantimentos, faziam casas subterrâneas e tudo mais. Aqui no Brasil, é claro, as pessoas postavam piadas nas redes sociais e faziam programas de televisão cômicos em relação a isso. Essa é uma característica do país: piada. Eu nunca acreditei que o mundo fosse acabar assim, sem mais nem menos. Sempre achei muito otimismo das pessoas acharem que tudo acabaria e que eles não pagariam em vida pelos estragos que vinham fazendo. Alguns diziam que a punição viria pós-morte. Mas não acreditava nessa coisa de limbo, julgamento, etc. Bom, vou contar para vocês a história do fracasso do fim do mundo. Estou contando anos após, então acho que posso ter uma visão mais realista da coisa hoje em dia. Foi mais ou menos assim:
Era uma vez, um povo ... não. Não posso começar a história com "era uma vez". Ainda é "a vez". Nada mudou muito. Mas, na época, muitos estavam especulando o fim do mundo; mais uma vez. Era basicamente por causa do calendário Maia que terminava naquele ano. Lembro até que vi algumas fotos em redes sociais que brincavam dizendo que os Maias haviam ficado sem lugar para escrever o calendário e que diziam "nossa, o povo em 2012 vai surtar quando ver isso". É...alguns surtaram. Mas a maioria só estava fazendo piada mesmo. Piadas do tipo "a única coisa que me arrependerei de ter feito se o mundo acabar é ter estudado para nada." É! As pessoas achavam estudar perda de tempo. Basicamente, esse pensamento já nos alertava que o fim estava próximo. Isso sim me assustava. Ah! Houve outro indício de que o fim estava próximo! As eleições. Um prefeito de merda havia sido reeleito e isso nos levava a crer que tudo estava por um triz. Mas vamos combinar, a estupidez humana sempre reinou, e nem por isso o mundo havia acabado. E dessa vez não foi diferente. Foi com a ignorância de todo um povo que fez com que o fim do mundo fosse um fracasso. Foram pessoas que decidiram se calar, pessoas que decidiram não estudar, pessoas que decidiram não tentar nada novo. O fim do mundo, o fim daquele submundo, não chegou. Foi simplesmente uma piada. O fim deveria ter chegado. O fim da ignorância, o fim do conformismo, o fim da escória. Mas nada aconteceu. Passou o ano. Nada acabou. Nada mudou. Parece que o combustível do mundo é a estupidez e ignorância humana. E levando em consideração que ela nunca acabará, tudo me leva a crer que o esse mundo também não. O fim daquele mundo nunca chegaria enquanto as pessoas ficassem preocupadas com a inutilidade de estudar, de fazer acontecer, de protestar, de levantarem suas bundas do sofá e de fato fazerem algo para mudar suas vidas. Claro que acho difícil uma pessoa só mudar o mundo, mas foi com esse pensamento que ninguém fez nada para que ele mudasse. Mas houve quem mudasse alguma coisa. Mas a massa populacional, aquela que menos tinha acesso ao estudo, continuou sem fazer nada. Alias, faziam sim. Trocavam voto por cesta básica. Ou até, mulheres engravidando por um bolsa-família. Bolsa, cesta, essas coisas que enchem os olhos dos não-informados, que na minha opinião são informados sim, mas são muito egoístas. Bom, foi assim que as coisas continuaram na mesma. Depois de tanta tecnologia, depois de tanto avanço, a mente da maioria só retrocedia. E sempre culparam o governo, quando eles mesmos que elegiam. Então, a culpa é de quem? Bom, mas isso é outro história. Estamos aqui para falar do fim do mundo que nunca aconteceu. A verdade é que havia toda uma expectativa, toda uma esperança de que nos livraríamos disso aqui tudo e de que não sofreríamos as consequências de nossos atos. Houve uma grande decepção quando nada aconteceu. As vidas continuaram, as coisas não acabaram e nem mudaram. Foi uma depressão pós-nada. Foi ai que caiu a ficha do povo: o mundo não acabou, e ficou nas nossas mãos a responsabilidade de faze-lo seguir, mais uma vez. Claro, muito mais difícil ter essa responsabilidade nas mãos, do que simplesmente ver tudo perecer. Fracassamos em fazer aquele nosso mundinho acabar. Foi o fim de mais um carnaval, quando só sobra a sujeira. Na quarta de cinzas, não havia nenhuma cinza. Havia só quem limpasse a bagunça, e os que ficassem em casa de ressaca. E isso se repetiu ano após ano. E nada, simplesmente nada mudou. E todos viveram felizes para sempre. Ou pelo menos, sobreviveram bobos-felizes para sempre.

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