sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Happy hour com Edgar.

Numa meia-noite de calor, enquanto eu bebia, uma bebida forte e animada, o som de alguém batia fortemente na janela de meu aposento. Me lembro bem! Era noite de calor em Dezembro, aqui no Rio. 

"Uma visita" , eu me disse, "está batendo na janela de meu aposento. "É só isto, nada mais". 
Levantei-me de meu sofá, abri então a vidraça, e eis que lá estava! Meu querido Edgar. Lhe disse então:

- Se eu fosse Fernando Pessoa diria que tu queres adentrar pela porta de meu umbrais! Só entras se trouxeres o Cuervo. Não me entenda mal! Não estou falando daquele corvo falastrão. Refiro-me a José Cuervo.


- Gostaria só de uma companhia para esquecer aquela vadia, nada mais.


Entrou grave e nobre com o Cuervo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento. Mas com ar solene e lento pousou-se sobre meu sofá. Num sofá que nem Atenas resistira, um bom José Cuervo começamos a tomar.


- Tens o aspecto tosquiado. -  disse eu enquanto despejava o líquido cor de ouro em vosso copo


- Passes o que passei com uma mulher daquelas e tu entenderás a minha face de loucura. Como sabes comecei até a falar com animais. 


- Queres um pouco de sal e limão?


- Só a tequila, nada mais!


Perguntei-lhe então se pensavas em outra moça encontrar, e assim esquecer da última que lhe fez desmoronar. Depois de um gole súbito, respondeu-me com palavras duras tais quais:


- Apego por alguém? Nunca mais!


Insisti:


- Mas nem ao menos dar-te-á a chance de novamente se apaixonar? Aquelas desavenças de outrora foram coisas banais!


- Aline, acredite, nunca mais!


Percebi então que o homem não estava para papo. Aquela moça realmente o deixou marcado.


- Ouvi dizer que havia morrido, a moça. E que tu tinhas ficado louco.


- Morreu mesmo. Morreu para mim. Mas para os outros com os quais ela circula por ai continua bem viva. E esses tipos são todos bem iguais. Apaixonar-me? Nunca mais!


- Mas e sua loucura? Curou-te como, homem? - Disse, enquanto despejava pela garganta mais um gole


- De fato louco fiquei. Mas curei-me de minha loucura quando vim para tuas terras. No aposento onde me escondia, não há ser humano ou animal que mantenha suas faculdades mentais.


- E tu para lá voltarás?


- Desta terra libertar-me-ei, nunca mais!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Broken glass is trash.

There is a barrier in my life I may never surpass
Inspite of the hardness shouting from my core
I am like a frail, easily breakable kind of  fine glass
Desperately hoping not to be accidentally dropped on the floor
But when it happens, I wait for you to clean up the mess
Wishing my parts on the floor are not stepped on anymore

While you gently gather my broken parts
A screaming sound of me scratching thy ground is heard
I, then, leave on the clean shiny floor of yours my marks
And by you, I am harshly thrown away under no gentle word
Silently and patienlty you watch me while my body departs
Wondering how a pretty fine glass could cause so much absurd

I then tell you before I am finally taken away
That I cause abusrd because from absurd I am an effect
Due to cause and effect I was found on your unlucky highway
I would not stay longer than that, as a matter of fact
However you told me to leave with no longer delay
And you got rid of the broken me as you do with an insect.




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

The weather matches my mood

The weather matches my mood
Cold and windy
My sorrowful marshy wood
Rigid and chilly

The weather feels like my wound
Harsh on the flesh
My humanity got marooned
A love thrown in the trash

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A constante inconstância do ser.

Frequentemente escuto pessoas dizendo que pessoas não mudam. São elas dizendo que elas não evoluem (um tiro no pé). Não venho aqui dizer se estão certas ou erradas. O que eu sei? Mas penso que a vida é transitória. E assim também são as vidas, as pessoas. Somos seres transitórios assim como a vida é; estamos em constante processo de mutação. Dizer que as pessoas não mudam, é dizer que não aprendemos. Talvez alguns realmente não aprendam nada com a vida, mas não acredito nisso como uma regra geral. Algumas pessoas aprendem eventualmente, no final. Algumas pessoas aprendem coisas ruins ao invés de aprender coisas boas e construtivas. Mas também, o que é aprendizado bom ou ruim? Existe isso? Is there such a thing?

Situações mudam. Conhecemos pessoas novas. Re-conhecemos pessoas velhas. Vivemos. Nós todos vivemos. Até mesmo dentro de casa, sozinhos. Pensamentos nos mudam. Somos mutáveis. Não estáticos. Prova disso está na história, na sociologia, na psicologia, na tecnologia. Nas mudanças de conceitos, de pre-conceitos. Podemos manter algumas características, mas isso não quer dizer que não mudamos em nada. Talvez aquele defeito ou qualidade muito marcante de sua personalidade permaneça, mas isso não quer dizer que outros defeitos e qualidades não mudem também. Aliás, manter nossa identidade é fundamental. Mas seres humanos são os seres mais capazes de adaptação que existe. Adquire-se conhecimento, compartilha-se também. A cada felicidade, dor, decepção e esperança, mudamos um pouco a nossa forma de ver o mundo, e consequentemente, mudamos nossa forma de pensar, agir e viver. 

Dizer que as pessoas não mudam, é dizer que somos burros empacados. É dizer que não saímos do lugar, ou ainda que andamos em círculos. Mesmo andando em círculos, nunca andaremos sempre da mesma forma. Já ouvi dizer: "as pessoas não mudam, elas apenas melhoram ou pioram". E isso não é mudar??? Talvez algumas pessoas mudem para pior, ou para melhor; mas elas mudam. Não estudei sobre isso, e nem venho dizer que sei muito sobre a vida para falar sobre isso. Mas acredito que todos, estudantes do assunto ou leigos, temos o poder de percepção e avaliação, mesmo que algumas vezes equivocada. Com essa minha capacidade de percepção, acredito que as pessoas mudam sim. Talvez a mudança não seja significativa aos olhos de outras pessoas, mas para nós, os que mudam (todos), ah! faz toda a diferença. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Happy Hour com Ernest



            Quem teve esses dias lá em casa foi o Ernest. Sabe? Ernest Hemingway. Então. Ele me confessou que estava cansado dos Mojitos e do Daiquiri do La Floridita, e pediu que eu fizesse algo mais brasileiro.  Ele também confessou que sempre foi fã do Brasil; um país de poucas guerras. Surpresa com sua afirmação, eu lhe disse:

 -  Hemingway, querido, se você acha que temos poucas guerras por aqui, você deveria frequentar menos a zona sul e um pouco mais a vida real.

 Demos risada da trágica realidade e fomos aos trabalhos. Começamos com a tradicional caipirinha.
Ele me disse que gostou  da casa, e que ele tava precisando mesmo de um lugar limpo e bem iluminado para conversar.  E uma outra pessoa, que não ele mesmo, que não tivesse ninguém para quem voltar; alguém que não tivesse hora pra terminar a bebedeira.

Papo vai, papo vem...mencionei que estava com alguns problemas na família. Minha família está em pé de guerra. Sabe aquele momento que você acha que família é mais maldição do que benção? Mais ou menos isso. Ele me contou que também teve lá seus problemas, e me alertou:

-  Aline, não importa quão necessária ou justificável seja uma guerra, ela será sempre um crime. Mas eu não vim dirigindo, então não vou cometer crime algum se beber mais uma. Ou umas.

 Depois de suas sábias palavras, como sempre, fomos preparando mais algumas.

Deixe que ele preparasse algumas. Ele fez uma... que estava tão boa, e tão forte, que chegava a ser uma bebida imoral. Ele pegou a garrafa de cachaça, colocou mais uma dose em seu copo e resmungou algo do tipo:  

- Sobre moral... eu sei que alguma coisa é moral apenas quando você se sente bem após fazê-la, e o que é imoral é quando você se sente mal após.

 Ele ainda não sabia das consequências da cachaça brasileira no dia seguinte.

Estávamos ficando embriagados. Eu mais do que ele. Comecei a dizer coisas que todo bêbado diz: que vai fazer e acontecer, revirar o mundo de cabeça pra baixo, revolucionar a história, colocar lenha na fogueira mesmo. Ele me encorajou. Disse que quando eu ficasse sóbria deveria mesmo fazer tudo aquilo. Que eu mantivesse minhas promessas. Eu fiquei surpresa... estava falando bobagens que nem eu mesma levava a sério. Ele me disse:

- Sempre faça sóbria o que você disse que faria enquanto bêbada. Isso vai te ensinar a ficar de boca calada.

  E assim fiquei, de boca calada. Depois disso, disse mais uma coisa que muitos já prometeram:
 - Se é assim, nunca mais volto a beber.

Meu parceiro de copo me disse que seria necessário que eu bebesse mais vezes, com mais vontade. Ele me disse:

-  Um homem inteligente é algumas vezes forçado a ficar bêbado para conseguir conviver com os tolos.

Eu perguntei, brincando com sua seriedade:

- Então eu sou a tola da vez? Por isso você não larga essa garrafa de cachaça?

  Caímos na gargalhada.

A manhã veio chegando. Ernest decidiu ir pra casa. Eu disse a ele que aquela bebida tinha acabado com a gente. E que o dia seguinte seria doloroso. Ele, saindo devagar da casa, me alertou:

- Um homem pode ser destruído, mas não derrotado.
 Ahh, esse cara é uma figura...

domingo, 5 de agosto de 2012

Um momento perdido



Não acho que a vida seja curta. A vida é muito longa, quase sempre. O que nos faz achar que ela seja curta, é o fato de desperdiçarmos horas, dias, anos, ânimos, em coisas e/ou pessoas que só fazem fazer nossa vida encurtar. Momentos perdidos que serão esquecidos, momentos totalmente arrependidos. É assim que me sinto quando perco um momento...arrependida. Esse arrependimento fica ainda por um tempo dentro de nós, e mais tempo, então, é perdido. E se eu pudesse voltar no tempo não faria tudo igual, como as pessoas alegam. Faria tudo ao contrário. Erraria muito menos, e gastaria todo meu tempo acertando com as pessoas. Meus erros me fizeram crescer, mas isso não quer dizer que acertos também não me fariam. 

Mas olhando para outro lado que não o da frustração, pego-me pensando que talvez momentos perdidos não sejam tão perdidos assim. Como aquele clichê "os erros do passado me tornaram a pessoa que sou hoje". E estou muito satisfeita com quem sou hoje, e com quem desejo ser no futuro. Todos os meus erros me prepararam. Não sou uma pessoa que "quebra" fácil. Numa expressão que gosto em Inglês "I`m tough". E isso, talvez muitos acertos e vida perfeita não me dariam. Olhar para o passado é sempre uma mistura de arrependimentos e saudosismo. Por mais erros que eu já tenha cometido, gosto de olhar pra trás e ver que me virei bem. E sinto falta dos velhos tempos, que não voltam mais. Então penso que, melhor estar entre momentos perdidos e outros ganhos, do que estar entre momentos nem perdidos e nem ganhos, mas insignificantes.

A vida é longa demais, quase sempre. O problema é saber o que faz encurtar a vida, e continuar batendo na mesma tecla. Crescer é inevitável. Crescer sabiamente é um pouco mais difícil. Errar é essencial. Acertar também, caro leitor. Há quem erre e aprenda com os erros; e então um momento desperdiçado serviu para  dar um passo à frente. Mas há quem erre, e continue errando, e saiba quão errado está, mas mesmo assim insiste em errar. Pura ignorância. Talvez, seja uma vida inteira desperdiçada, e nenhum passo à frente. A vida é longa, mas num piscar de olhos, ela termina. A "ultima porta" se fecha. Desperdiçar momentos com erros enriquecedores é deveras válido. Mas desperdiçar momentos uma vida inteira para que no final nada tenha sido aprendido e mudado, bom, isso sim torna a nossa vida curta. A ignorância torna a vida curta. Curta e amarga. Amarga e desperdiçada. Desperdiçada e esquecida. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Feras domadas.

Segundo Jean-Jacques Rousseau, o homem nasce bom (ou puro) e a sociedade o corrompe. O que nos leva a pensar: do que é composta a sociedade? De homens! Então, como não pensar que então o homem corrompe a si mesmo? Nascemos bons e puros? Psicopatas foram corrompidos pela sociedade? E por que existem níveis de psicopatia? Tudo bem que psicopatia é uma doença que pode ser desenvolvida com o tempo. Mas se ela não veio com o nascimento, por que a sociedade faz isso só com a minoria das pessoas? Será porque alguns tenham o psicológico mais fraco que os outros? Então, eu poderia dizer que a sociedade corrompe apenas os menos psicologicamente capazes de suportar?  Ou então, todos sejamos psicopatas, mas a "moral e bons costumes" de nossa sociedade nos impede de agir conforme o nosso lado animal gostaria. Sei que é um parágrafo confuso, com muitas perguntas e poucas respostas. Mas escrevo como penso. E penso, logo escrevo. E de fato, penso muito mais em perguntas do que em respostas. Questionamento mais do que afirmação. 

Se você pudesse, sem que ninguém te visse ou te julgasse, você mataria alguém? Pense em alguém que lhe causa repulsa. Você faria isso? E seria rápido e indolor, ou lento e doloroso? Torturadores da polícia são desumanos, ou humanos demais? Quem merece morrer pelas "nossas" mãos? Vamos pensar em algo mais perto de nossa realidade (espero eu): você aceitaria uma promoção mesmo sabendo que alguém mais capacitado do que você está sendo prejudicado por não receber essa promoção? Coleguismo é imperdoável, ou naturalmente faz parte da nossa rotina? Você trairia? Um namorado, um amigo, um familiar? O que é traição para você? O que é aceitável, e o que foge dos limites? Que limites? Depende de cada cultura. E aí, penso então, que cada ser humano nasce com sua dose de maldade e bondade, e então se adapta à sua respectiva sociedade, por sobrevivência. Mas ainda existem aqueles não se adaptam. Então, talvez a sociedade não corrompa, mas dome os instintos. Os "corrompidos" são os não-domados? A sociedade é domadora em diferentes níveis.

Tenho certeza que psicólogos, antropólogos e afins, já tenham pesquisado muito, e escrito muito sobre isso. Mas o propósito do blog não é vir aqui afirmar e repetir o que já foi dito (não que eu não ache muito valoroso). O propósito é trazer perguntas, e discutir entre leigos sobre o que pensamos. Não é necessário estudar anos para pensar sobre as coisas. Nos cabe também. E você, querido leitor? Concorda ou discorda de Rousseau? 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Inspiração.

Não são apenas os artistas que precisam de um pouco de inspiração diária. Qualquer pessoa, qualquer trabalhador, estudante, qualquer um que foi pego pela máquina sociedade, precisa de inspiração. Talvez algumas pessoas não param para reparar, mas continuamente buscamos por alguma coisa, uma pessoa, um lugar, que nos inspire a continuar vivendo. Para tudo que se faz sem inspiração, um momento foi desperdiçado. 

Eu, por exemplo, busquei por uma viagem. Aliás, algumas vezes buscamos a inspiração longe da nossa realidade. Mas a verdade é que muitas vezes perdemos algo que nos dê impulso simplesmente por estarmos cegos e anestesiados pela rotina. Acredito que a rotina seja uma grande oportunidade de inspiração diária. Um café da manhã mais demorado. Um música diferente das que costumamos ouvir. Uma fresta de sol entre as árvores. Um dia cinza. Uma chuva inesperada. Pode parecer romântico da minha parte, e talvez seja, mas não é essa a questão. A questão é que existe muito que pode nos impulsionar a ter um dia que não seja "só mais um dia", mas quase nunca temos o tempo ou a energia para parar e prestar atenção. 

Tenho tido isso com conversas com pessoas interessantes. Troca de idéias e planos para o futuro. Um pouco menos de papo furado e um pouco mais de conversas significativas. Sair um pouco do trivial. Fazer e falar coisas que sempre achamos que fosse fora da nossa alçada. E quando paramos para ver, estamos vivendo coisas, traçando metas, realizando sonhos, trabalhando com mais vontade, estudando sem tanto sacrifício. Tudo porque achamos a cada dia, algo novo para nos impulsionar. 

 Um filme, um livro, nem sempre só a realidade pode nos inspirar. É sempre necessário saber quando ficar e quando sair da realidade. Não tenho crenças religiosas, mas acredito no que o psicológico tenha poderes imensuráveis sobre o nosso corpo. Saber quando sair da realidade, e mais, quando voltar para ela, ter esse controle sobre nossas mente, faz com que tenhamos inspiração constante para nos mantermos em movimento. Não, não é minha intenção escrever um post de auto-ajuda. E nem estou tentando ser uma escritora motivacional. Não quero lhe dizer como viver melhor. Nem tampouco estou dizendo que é fácil assim achar inspiração. Mas, para mim, viver sem inspiração me deixa anestesiada. E eu gosto de sentir coisas. E então? O que lhe inspira? Tudo, qualquer coisa, alguma coisa, nada?