segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sozinha na Paulista.

E então, fui a São Paulo. Desde a rodoviária, o que eu mais queria aconteceu: não faltou inspiração para escrever. Não escrevi muito, mas sim, um esboço que me servirá para escrever algo maior e melhor (não que uma coisa tenha a ver com a outra). Antes mesmo de pegar o ônibus, já estava escrevendo.  O fato é que às vezes eu preciso sair um pouco do meu normal, para conseguir enxergar para fora de mim. Sei lidar muito bem com o meu dia-a-dia, com as pessoas que fazem parte da minha vida, com todas as situações que possam acontecer comigo aqui. Mas estar em outro lugar, com pessoas que você não conhece bem, com lugares aos quais você não pertence, te desafia a sair do seu normal, a enxergar além de si, a projetar-se para uma nova realidade e consequentemente um novo ponto de vista.

Mas não, nada de extraordinário aconteceu. A mudança interior foi simbólica. Eu não precisei fazer nada que eu não faço aqui normalmente. Não fiz nenhuma loucura, e não utilizei o conceito de "viver a vida ao máximo" que as pessoas insistem em pregar. Meu conceito de viver ao máximo é um pouco diferente da maioria rebelde. Não foi uma grande mudança de rotina. Foram apenas três dias. Mas isso fez toda a diferença. Porque, como eu sabia que no final tudo voltaria a ser como antes, eu pude aproveitar os dias sem me preocupar em estar vivenciando uma grande mudança, que poderia dar certo ou não. Não foi isso, não fui em busca de uma grande mudança. Eu adoro o jeito que tudo está. Não queria uma mudança significativa. Pelo menos não por enquanto. Eu queria uma mudança interna, em doses pequenas e homeopáticas. 

Essa viagem foi necessária, mas não porque era uma novidade. Já viajei sozinha, para lugares muito mais distantes e diferentes. A diferença, é que da última vez, viajei visando a permanência naquele lugar. E é muito difícil abandonar o seu lar, suas pessoas, seu emprego, e mudar tudo de uma hora para a outra, quando na verdade, tudo sempre esteve ótimo. Dessa vez não foi necessário abandonar nada, e por isso, consegui enxergar tudo com mais clareza. Quando estamos sob grande pressão, como no caso de se mudar permanentemente para outro lugar, não somos nós mesmos por algum tempo. Estamos lidando com muito estresse e pressão. Dessa vez foi tudo calmo, foi só um tempo curto distante de tudo. Sem nem celular funcionando, nem contato pela internet. Foram dias de distração. 

Conversar com outras pessoas, ver um estilo de vida completamente diferente do nosso, e sair daquele estágio em que eu tinha tudo sob controle, foi realmente importante. Muitas vezes nós achamos que só existe a opção de viver como sempre vivemos. E na verdade, o mundo está cheio de possibilidades. Quando dei por mim, estava sozinha na Paulista, como se eu pertencesse àquele lugar. Todos já tinham ido embora e eu precisava ir também. Nada deu errado. Continuei, sabendo que eu não precisaria de alguém me guiando naquele momento. Eu poderia muito bem fazer as coisas sozinhas. Como sempre fui auto-suficiente (em certos âmbitos da vida; porque para certas coisas, sempre precisaremos de alguém).

Eu gosto muito de ser auto-suficiente. Mas apesar desses três dias terem sido bons para eu relembrar que realmente sou independente, eles serviram ainda mais para me lembrarem que mesmo que nós possamos viver sozinhos, nós sempre escolhemos a companhia de quem gostamos. E por que não escolheríamos? E por isso, em São Paulo encontrei dois amigos, ao invés de ficar sozinha por completo. E por isso também, adorei chegar em casa e ver minha família e meus amigos. Eu sempre confundi independência com afastamento. Eu não preciso e não quero ter as pessoas que eu gosto longe de mim. Acho justo que algumas pessoas realmente gostem de isolamento. Mas por enquanto, não cheguei lá. Essa viagem foi ótima por eu ter visto isso. Eu consegui ir e me virar, e me divertir, e sair da mesmice. Mas estava ansiosa para voltar para a minha mesmice. Porque ela era minha. Minha rotina, minha casa, minha família e meus amigos. O grande barato, é que ao invés de uma coisa anular a outra, eu simplesmente somei. Agora tenho mais amigos em São Paulo, e continuo mantendo os meus aqui. Não preciso ficar sozinha, apesar de adorar. Apesar de adorar, gosto porque sei que mais cedo ou mais tarde, eu estarei de volta com as pessoas que gosto.

Em suma, foi uma viagem muito boa e necessária. Vi muitas coisas sobre as quais eu quero escrever. Meu objetivo foi alcançado. Passei pelo desafio "ir sozinha a São Paulo". Conheci pessoas novas e interessantes. Me diverti como há algum tempo precisava me divertir. E no fim das contas, voltei para onde eu sempre quero voltar. Percebi que não preciso ter ou um ou outro. Posso ter os dois. Posso ter desafios e mesmice ao mesmo tempo. Não preciso de uma grande mudança para me sentir em movimento. Pelo menos por enquanto, preciso de doses diárias de mudança interna, para me mantes constante. E inconstante.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

(0XX11)

Estou indo para me inspirar. Não que o Rio não me inspire. Mas sair um pouco, e só por um pouco, do mesmo em que tudo se encontra, pode me trazer boas inspirações. E não que eu não goste da minha mesmice. Adoro ter uma rotina. Gosto de ver sempre as mesmas pessoas. E fazer as mesmas coisas. E gosto mesmo de não ter novidades. Gosto de tudo calmo do jeito que sempre foi. E aí, no meio de toda essa calmaria, sempre há espaço para uma coisa diferente. E essa coisa só é diferente, porque não faz parte da rotina. Quero dizer, gosto de ter uma vida calma e parada, para quando vier a ser agitada e diferente, realmente seja diferente. Então, essa minha válvula de escape será São Paulo por três dias. E é pouco, mas suficiente para eu sair da minha adorável mesmice.
 Encontrarei amigos, conhecerei pessoas. Sairei pelas ruas. Conhecerei cantos novos. Dormirei em hotel. Levarei meu Journal; um livro no qual eu escrevo coisas bem aleatórias do dia-a-dia, e que alguns chamam de "livro secreto". Não, não é um diário, apesar do nome. Nele eu escrevo coisas que não escrevo aqui, e que eu quero que só seja divulgado depois que eu morrer. Parece dramático, mas tem bons motivos. Um dos motivos por eu querer escrever, é para ter minha presença registrada e eternizada aqui. Nada mais efetivo do que lançar algo após já ter ido. Como se tivesse deixado um filho. Aliás, agora ele já não é mais tão secreto assim, já que divulguei a existência dele aqui no blog. Mas o conteúdo é secreto. Não. Não é erótico. É filosófico. Não divulgo aqui por muitos motivos. Mas eu não acho de forma alguma que o livro secreto não merece estar aqui, ou que o blog não merece ter o livro secreto. Acho que os dois projetos têm o mesmo nível de importância, em diferentes âmbitos. São projetos paralelos, e com intensões distintas. Mas enfim, levarei esse Journal (chamo assim porque é o que veio escrito em sua capa) para sair por lá escrevendo o que me vier em mente. E quando chegar em casa, vou tentar relembrar as coisas que mais me chamaram a atenção, os pontos marcantes da viagem, e escreverei um post aqui também. 
Estou colocando muitas expectativas. E escrever sobre a viagem antes dela acontecer pode até dar má-sorte. Mas não sei mais se acredito nisso. E mesmo que uma parte de mim acredite... não deixarei de escrever sobre nada com medo de algo acontecer. O lugar onde eu vou escrever pode ser diferente, mas não deixarei de registrar. Espero que tenha muito mais para falar na volta da viagem. E se estou colocando tantas expectativas nessa viagem, é porque essa é a primeira vez que viajo para escrever. E tudo que envolve escrever, para mim, merece todas as minhas expectativas. Sem contar que estarei na presença de pessoas maravilhosas. Hasta la vista!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

I`d like to know you instead.

I like you
I like you but I don`t even know you
I like not knowing you
But I`d like to know you instead


I hope you like me when you know me
I hope you don`t wish you hadn`t met me
I hope your eyes like what they see
I hope mine see the invisble part of thee


When I come home, I wish you miss me
When I come home, I wish my life you wanna meet
When I come home, I wish you say "see you soon"
When I come home, I wish you remember me when you look at the moon.


Because I like you
I like you even though I don`t even know you
I like not knowing you
But I`d like to know you instead.

domingo, 22 de julho de 2012

Só morno.

Sem inspiração
Um daqueles dias mornos
Nem frio, nem quente.
Só morno.

Tudo dentro da cabeça
Nada que valha a pena falar
Nem frio, nem quente.
Só morno.

domingo, 15 de julho de 2012

I like to walk on cold empty streets

I like to walk on cold empty streets
One cold lonely heart
Late at night
The company of no lights shining bright

No eyes upon me, I could cry
I can even either look around
Or close my dim eyes
No single one will see I am crazy

I like to walk on cold lonely streets
The silence is bliss
The cats are at lurk
I can hear the sound of the cracking leaves

No hands holding me
I can even either sing
Or dance to warm my cold body
No shrink will analyse me

I like to walk on cold empty lonely dark streets
When I am alone on my way home
Because when I get there
The warmth and company of my blanket is enough.

sábado, 7 de julho de 2012

They ain`t you.

There certainly are better people out there
People better than you.
There certainly are smarter people out there.
People smarter than you.

I am sure there is someone more beautiful
Someone more beautiful than you.
I am sure there is someone more sensitive
Someone more sensitive than you.

I am positive there is a person with a hotter body.
A hotter body than yours.
I am positive there is a person with a brighter smile.
A brighter smile than yours.

There is no doubt I could find somebody more intense.
More intense than you are.
There is no doubt I could find somebody more pleasant.
More pleasant than you are.

There certainly are better people out there
People better than you.
There certainly are less wrecked people out there.
But darling, you see... They ain`t you.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Minha primeira entrevista =)

Aqui está, minha primeira entrevista =D

http://soundcloud.com/regina-celi-silva-aveiro/no-tempo-do-radio-a-lenha

Pseudo-escritora.

Estava com um certo bloqueio. Não conseguia pensar em temas para escrever aqui. Tem horas que simplesmente nada parece ser tão importante assim para se escrever sobre. Pedi ajuda à algumas pessoas. Me deram a ideia de escrever sobre humor, e sobre morte. Ta aí! Dois temas que raramente se encaixam num mesmo texto. Enfim. Escreverei sobre os dois. Humor porque nunca escrevi sobre. E morte, porque nunca é demais falar sobre. Já escrevi alguns posts com esse tema, e por isso vim passear pelo blog e ver o que eu já tinha escrito sobre, para não me repetir demais. Aproveitei para ver os comentários que eu ainda não tinha lido. 

Num dos comentários, um digníssimo leitor mencionou uma coisa que me fez pensar. E que até me agoniou um pouco. Parafraseando, ele disse que algumas pessoas podem me considerar uma ótima escritora, ao passo que outras podem me considerar uma pseudo-escritora que poderia estar fazendo qualquer outra coisa normal. E então uma grande explosão de pensamentos e sentimentos invadiu minha cabeça que até então estava tão vazia. Doces 30 minutos de cabeça vazia.

Uma das frases que mais me fez pensar, e viajar, e repensar, e sonhar e resonhar esses dias, foi uma frase de Robert Frost em "The Road Not Taken". Ela me causa esse impacto pois é como me sinto ao pensar no caminho que estou percorrendo agora que me dedico a essa coisa de escrever. Pessoas com um mínimo de sensibilidade conseguirão relacionar o verso do poema com o tema do post. A frase é a seguinte: 




"
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference."


"Duas estradas divergiam em um bosque, e eu - 
Eu peguei a estrada menos percorrida,
E isso fez toda a diferença." 



Eu fico muito lisonjeada pelos que me consideram de fato uma escritora. Boa ou ruim. Não me importa. Aos que me consideram uma pseudo-escritora, sinto muito que pensem assim. Comecei a me considerar uma escritora quando comecei a ter leitores. Quando os meus textos começaram a fazer as pessoas pensarem. Existe texto bom e ruim. Tenho certeza que já escrevi dos dois tipos. Existe escritor bom ou ruim. Não me importo muito em ser qualquer um deles, contanto que eu seja algum deles. Mas não ser, não é mais uma opção para mim. E quando penso que algumas pessoas podem me confundir com alguém que escreve e diz o que pensa para "aparecer", sinto muito pela pessoa que não compartilha comigo um momento tão raro para pessoas que vivem na nossa época: aquele momento em que você realmente para e, de fato, pensa.

Não quero simplesmente ser chamada de escritora. Não quero simplesmente ganhar dinheiro um dia com isso. Não me importo se algumas pessoas não entendem o que eu escrevo. Muito menos me importo que não gostem, apesar de me sentir muito feliz quando gostam. Escrever para mim é muito mais do que isso. Provavelmente, pseudo-leitores jamais vão compreender isso. Não quero formar leitores e nem muito menos escritores. Gostaria apenas, que por meio de meus textos, as pessoas que leem tornem-se pensadores.

Para quem entra aqui, lê, e talvez até comenta, não me importa se concorda ou não com o que eu escrevo. Como o blog mesmo sugere, tudo é relativo. Nada do que eu escrevo é absoluto e deve ser engolido. Pelo contrário, é para ser discutido. Então, para os que leem, e devotam seus cérebros para alguns momentos de reflexão, agradeço muito e espero que eu esteja ajudando nesse exercício. Sei que vocês ajudam muito comentando, e até mesmo apenas visitando. Aos que talvez me considerarem pseudo-escritora, sugiro que então que parem de ler meu blog, e leiam um escritor de verdade. Comece por Frost.