sexta-feira, 29 de junho de 2012

Papo amoral



"A arte não é moral nem imoral, mas amoral" - Oscar Wilde.

A moral vem para desinstinficar o homem
Acabar com todo nosso instinto amoral 
O instinto que não reconhece certo ou errado
Conhece e reconhece víscera, somente.

Visceral somos até que deixamos de ser 
Deixamos de ser total e, então,
Parte do todo nos tornamos 
Do todo estraçalhado; o todo soberano.

Dizem-nos o que faz bem ou não, e
Esse é o preço que se paga
Fazer o bem sem olhar a quem
Viver de regras que só beneficiam a alguns alguéns. 

Ser amoral é melhor que ser moral-imoral
Regras morais-imorais nunca são por acaso
Alguém sai sempre ganhando
Mas esse alguém nunca somos nós, reles mortais.

Alguém me disse quem eu deveria ser
Recusei, e preferi ser ninguém 
Ninguéns já somos principalmente tentando não ser
Ninguéns acéfalos.

Zumbis contemporâneos que
Comem o nosso intelecto
O bem sempre acima do mal 
Reze, se quiser ir para o céu

Ou tire a roupa
Tire as máscaras
Faça sexo com a vida
E prenda-me se for capaz.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

When I die.

There is no "if". I know someday I`ll be gone. Long gone. How will people feel? How long will it take for people to forget me? Forget all about me? How many people will be sad? How many people will not care? How many people will actually care? How long will it take for my existance to make no difference anymore? Does it make a difference now? When I`m gone, will you regret not being in touch with me? When I`m gone, will you miss me, or will you be relieved, or will you even notice? When I die, how many tears will be dropt on top of my coffin? How many won`t'?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Barulho intelectual.

Corredores cheios de entusiasmo
Salas cheias de esperança
Cabeças cheias de vazio
Expressões cheias de pompa

Conversas intelectuais e
politicamente corretas
Muitas opiniões
Ideias que vão mudar o mundo

Todo mundo tem algo a dizer
Algo enriquecedor
Uma fonte de riqueza
Infinita e mutável, transcendental 

Todo esse barulho pós-moderno
Essa inquietação paradoxalmente niilista
Salas feitas de vidro
E a intransparência da mente humana.

Gosto do banheiro de lá.
O silêncio quieto e justo
Isolado daquele mundo
Rebelde e adolescente

O lugar calado onde
minha mente em paz descansa.
Gosto do silêncio e 
preciso do silêncio.

As conversas lá fora
e as discussões aqui dentro
Fazem com que eu me retire
Me coloque fora de órbita

O lugar calado onde
A minha mente pode falar
Gosto do banheiro de lá
O silêncio quieto e justo.

domingo, 17 de junho de 2012

Não lerás no meu fim.

E se eu soubesse a data de minha morte, escreveria para todos os mais chegados. Agradeceria e diria o que nunca tive a oportunidade de dizer. Escreveria também aos que julgo e não gosto. Diria tudo que o decoro não me permite dizer. Escreveria aos meus professores, e os agradeceria por todo conhecimento compartilhado. Escreveria para muitos, mas não escreveria jamais para ti. Não porque eu não me importo. Não porque eu me importo menos. Pelo contrário. Não escreveria porque é com você que me importo mais. Não conseguiria dizer. Eu não saberia começar a explicar a importância da tua vida para a minha. Não seriam justas as palavras que eu usaria. Porque palavra nenhuma carrega o peso do significado que a tua vida tem para a minha. E ofenderiam o tudo que habita em mim, em relação a ti. E não que eu não entenda o que eu sinto. Mas nunca conseguiria externar um sentimento que nasceu e que morrerá dentro de mim.

terça-feira, 12 de junho de 2012

What about the big picture?

I`ve written a small post talking about how frustrating it feels to write aimlessly. It`s not like I don`t have my reasons to write. I`ve got plenty. Maybe hundreds of them. But they are selfish. All the reasons are to fulfill my own needs, and to hunt my own ghosts. When I look to the big picture, I see an endless road. And I`m not alone there. I`m driving along many different, brilliant people who have been doing the same as I do: writing. Undoubtly, I`m just a learner on this road. I`m just the pupil. 

People have been writing since forever, with different purposes, different styles, different backgrounds, different languages. But it turns out, language, which should be our main way of communication, is hardly enough. It doesn`t matter if someone is a magician of words, a genius of the verb. The understanding of things needs far more than language. Language, in all its forms, is not enough. Music, paitings, books, movies, and all endless kinds of art, are also different kinds of language. And it`s still not enough. 

Geniuses of Literature have come and gone. They have left all the gold to us, who remained here. And even to the ones who will soon get here. They have immortalized their message, their thoughts, their questions. All different kinds of subjects have already been brought up: the senselessness of life, love, death, life, racism, religion, atheism, politcs, social issues, fantasy, etc. All kinds of radom people, who lived the same kind of life other people also did, wrote about those many different issues, questions. So many questions! James Joyce, Edgar Allan Poe, Virginia Woolf, William Shakespeare, Ernest Hemingway, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Anne Bradstreet, Machado de Assis, Mário de Andrade, Herman Melville, and so many others, I could go on and on all night long writing names of people who have riden the same road of Literature. They have all written about many important issues, even though they were just regular people. Well, not so regular, as we can see now. They all had their own purposes and reasons. They certainly have changed many people from the inside, people who have read them. And they obviously have changed the world in some many different ways. But, repeating myself, I just feel it will never be enough.

It doesn`t matter how great these people were to the world, only a very small share of people get to understand, question, and apply their ideas. We get very surprised to see people who have never heard of most of them, but the fact is that most of people have never had the chance to. Or even if they have had the chance, they refused to get to know them. And it`s not their fault. I really don`t know whose fault this is. In my case, I started to learn about them very late, and I blame school, my parents, and myself for that. But I cannot put the blame on the behalf of others. People just don`t know the treasure hidden inside those minds. Treasure turned into words, into images, into sounds. And then, I ask myself: what for?

Writing has always have a great part on the lives of the fortunate ones, who have the chance to read and understand words. But if even the geniuses I mentioned before could not touch most of people, how the hell I, a Literature learner, will manage to do it? Because I could write just for the sake of writing. I think that`s fair enough. But I could do it to myself, and keep it to myself. But when I post it in here, I really expect people to read, reflect, react, think, keep moving. But sometimes I also think it`s a bunch of nonsense I`m writing about. I really appreciate who comes here, always reading and making comments, and always sharing their knowledge with me, but the thing is, what about the big picture? Having many accesses here is good for my ego. It`s amazing. But what about the selfless side of my inner writer? What use is it? What am I supposed to do with it? Am I the right way? Is there a right one? I`m certainly not becoming one of those geniuses, and I`m not saying this so you (my lovely readers) would say the opposite. I`m just stating a truth. I`m being obvius. I`d need so much more. Maybe when I`m older. But until then, what am I supposed to do with my writing? Am I really making people think about stuff? Or am I just flattered because people always make good comments about what I write? What about the big picture, for cryin` out loud?! 

No matter what, there will always be many unanswered questions. I`m not saying the writers I mentioned have failed to answer questions. Because I really don`t think this was the purpose of their writing. I really think it`s all about the question, not the answer. But I always catch myself thinking about how theose geniuses could not manage to change everything into a perfect world. And by "perfect world" I don`t mean a rich world, or even a happy world, but a world consisted only by people who really think, rational people who think about their actions and the consequences of these actions, people who share their gold instead of their mud. If they didn`t do it, I`m not the one who will. Not because I don`t want to, but because I have no clue of how to. And that`s why sometimes I get so frustrated. Because of this lack of a real aim. And I`m glad my friends read what I write, and share their brain, too. But what about the big picture?

domingo, 10 de junho de 2012

Pra quem me lê.

Esse post vai pra quem entra aqui mesmo quando eu não divulgo nada. Tô sem tempo e sem vontade de escrever. A falta de tempo significa que eu tô fazendo muita coisa ao mesmo tempo, o que me deixa estressada, e me faz não querer fazer nada no pouco tempo livre que tenho. Também, venho pensando nas coisas que escrevo, e às vezes acho que isso tudo é uma grande perda de tempo. Enquanto estou aqui escrevendo, poderia estar estudando pra faculdade, por exemplo. A faculdade pode me render frutos, o blog, só com muita sorte me renderá frutos financeiros. Tudo bem que dinheiro não é tudo na vida e blablabla, mas eu vivo no mundo capitalista. Alias, aprenderei muito mais, também, estudando do que escrevendo. Sou muito grata aos que entram e comentam, mas às vezes escrever aqui me parece mais uma atividade passa-tempo que eu tenho na vida. Se eu não escrever, tudo continua o mesmo. Não é como se eu estivesse fazendo uma grande diferença. Então, pra quem me lê, peço a compreensão. Caso eu não escreva por esses dias, é pelo simples fato de estar tentando superar essa crise tardia de "escrever pra que?" (2 anos e meio depois, chego a essa conclusão. Great).

Um grande abraço,
Aline Thosi

sexta-feira, 8 de junho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mentiras sinceras agradam?

Uma vida inteira tentando lidar com as linhas tênues. A linha tênue entre agradar e ser puxa-saco; entre ter auto-confiança e ser arrogante; entre ser racional e ser frio; entre se preocupar com alguém e se meter na vida desse alguém; entre ser sincero e ser rude. Algumas pessoas simplesmente ignoram a linha, e saem por aí sendo quem querem ser, e falando qualquer bobagem que lhes vêm à cabeça, sem entender que, (in)felizmente vivemos em sociedade, e que para tudo existe um limite. Outras pessoas enxergam o limite, mas acabam ultrapassando-o. Raras são aquelas que enxergam e respeitam a linha. É difícil manter-se equilibrado. Principalmente, porque todos os adjetivos acima citados, implicam em nos relacionarmos com outras pessoas. E as pessoas são fodas! 

Eu, na verdade, parei de tentar ser uma coisa só o tempo todo. Cada pessoa merece um "eu" diferente. Aquela máxima "sou desse jeito e não vou mudar... as pessoas que lidem com isso" é pura ignorância. O mundo não gira em torno de você. Você deve moldar-se sim. Não a tudo. Mas à algumas coisas e pessoas. Você só não precisa moldar-se se quiser e conseguir viver sozinho. E por "sozinho", quero dizer numa ilha onde o único habitante seja você. Fora isso, você precisa de pessoas. A sua verdade não é absoluta. E dizer "sou do meu jeito" nem sempre é uma coisa para se orgulhar, aliás.

E ao nos moldarmos, e ainda, por vivermos em sociedade, a mentira torna-se acessório indispensável no kit de sobrevivência. Digas ao teu chefe que ele é um ignorante e vejas o que te acontece. Digas à tua namorada que ela te traz mais momentos problemáticos do que momentos felizes, e depois mande-me uma carta do além contando-me como foi o final. Mentimos para nos poupar e/ou para pouparmos pessoas que gostamos de desavenças desnecessárias. Mas quando é necessário mentir e quando mentir é apenas uma forma de comodismo? Onde fica essa linha tênue?

Uma simples palavra de apoio a alguém que precisa, é uma mentira. Claro que não é uma mentira ruim. Será que não?! Quando dizemos a alguém "vai ficar tudo bem" estamos simplesmente confortando esse alguém, ou estamos cultivando a ilusão de que as coisas vão se acertar, quando as chances são de o contrário acontecer? Ou quando dizemos que as coisas estão bem quando, na verdade, não estão nada bem? Quem nunca fez isso? Mentimos até quando desejamos bom dia, mas na verdade gostaríamos de desejar uma morte bem lenta. Até que ponto a "educação" nos faz mentir? Ou, até que ponto, vai o seu tato em relação à verdade nua e crua VS. mentira branca?  Até que ponto esse tato é válido?

E não venhas dizer-me que tu não mentes! Que tu não falas nada para agradar outras pessoas. Tu podes não fazer isso com qualquer um, mas com as pessoas que tu te importas, certamente. E aí que está! Não devíamos ser sempre honestos com quem nos importa?! Mesmo que a verdade seja difícil, não devíamos ser sinceros?! E então, por que preferimos uma mentira morna à uma verdade fria? Há quem digas que não preferes uma mentira morna. Acredito que algumas pessoas sejam mais fortes e consigam receber todas as verdades na cara. Mas a maioria não consegue lidar bem com críticas. Aí tu falas: "eu sei lidar muito bem com críticas"... tu dizes isso porque com certeza ninguém ainda teve a petulância/coragem de dizer-te exatamente toda a verdade.

O mais difícil em saber quando mentir e quando dizer a verdade, é que não existe uma resposta só para essa questão. Com cada pessoa, você vai agir de forma diferente (se você for uma pessoa razoável). Somos robôs, mas somos robôs humanizados, e temos nossas peculiaridades. E acho razoável sabermos escolher qual verdade e para quem ela será dita. O fato é que algumas verdades são desnecessárias, enquanto algumas mentiras são necessárias. Na dúvida, opto pela omissão. Ficar calada nunca me trouxe muitos problemas, mas sim, me livrou de muitos deles.