quinta-feira, 29 de março de 2012

A monarquia da mente.

Hoje visualizei na minha mente o que eu faria se soubesse a data do meu prazo de validade. O que você faria se soubesse que só tem mais 3 meses de vida? Foi fazendo-me esta mesma pergunta que cheguei à uma resposta quase que assustadora. Eu, no fim dos meus dias, escolheria passar todo o meu tempo escrevendo. Eu escreveria sobre o tudo e o nada que passa pela minha cabeça; sobre o tudo e o nada que é a vida; sobre o tudo e o nada que é a morte. Aquele tipo de loucura sensata que deve passar pela cabeça da pessoa que sabe que está prestes a morrer. Todas aquelas dúvidas que naquele momento já nem fazem mais sentido. Escreveria para todas as pessoas para as quais eu preciso dizer coisas que não diria se não soubesse que iria morrer logo. Escreveria no resto da parede da casa inteira. Mesmo que eu não tivesse sobre o que escrever, eu escreveria.

Foi então que entendi que nasci para morrer escrevendo. Porque quando estou trabalhando, estudando, bebendo com os amigos, dormindo, eu quero estar escrevendo. Eu tento guardar na minha memória todos os textos mentais que faço o tempo inteiro. E que seja obsessão; cada um com a sua. E que a minha se espalhe para os outros. E que o tudo que eu escrevi tenha agido dentro de pelo menos uma pessoa. E não que eu escreva para alguém, mas que esse meu egoísmo de escrever para ninguém não tenha sido em vão. E que nesse mundo onde as coisas estão tão depressa e superficiais, o meu alter ego lento e profundo perdure. E que por entre os signos de um texto meu, haja duas interpretações para cada pessoa que o ler. E que me estudem e me mal-interpretem. E que julguem. Que discutam. Não é egocentrismo. Eu só quero que as pessoas pensem, o tanto quanto eu penso. Penso o tempo inteiro. E sei que muita gente também. Dentre tantos milhões de pensamentos diários, pelo menos um vai ser irmão gêmeo. E nesse similaridade é que alguém vai sentir-se menos sozinho ao ler-me. E que nas divergências desses pensamentos gêmeos, exista a briga entre esses irmãos de raça, de raça humana. E que dessa briga nasça uma ideia nova. E que um dia, após tanta leitura e escrita, o pensamento seja o Rei de tudo. A monarquia da mente. Aquele grande dia que seremos pagos para ficarmos parados ao invés de pagos para o movimento. Porque o movimento está em círculos, e a sensação é que estamos indo a lugar algum. Então que paremos. Paremos e pensemos. Pensemos no não-óbvio. Os inventores nunca pensam no óbvio. Eles pensam no que pouquíssimas pessoas já haviam pensado. E foi depois de tanto pensar e escrever e tentar escrever mais do que penso que entendi que nasci para morrer pensando e escrevendo e tentando escrever mais do que penso.

8 comentários:

  1. Eu provavelmente continuaria vivendo a minha vida atual, só procuraria alguém pra cuidar do meu cachorrinho, e tentaria ficar mais tempo com os meus amigos, sem contar pra eles o que tá acontecendo.

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    1. Aaaw! :*

      Mas eu gosto disso só.
      Se você abrir a boca pra contar, vai acabar alertando demais, e todo mundo vai querer super te agradar...
      Eu acho que eu ficaria quietinho, na moita, e deixaria as pessoas conviverem comigo numa boa, e aproveitá-las ao máximo. (:

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  2. E mais uma vez eu adoro o jeito como você termina seus textos =)

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  3. EStou muito impressionado com este texto, é uma das mais lindas declarações de amor à escrita

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    1. Muito obrigada pela leitura, pelo comentário, pela sua ajuda =)

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