sábado, 22 de dezembro de 2012

Desligue a TV e vá ler um livro? Não me diga o que fazer!

Primeiramente gostaria de deixar registrada a minha revolta contra pessoas que acham que sabem o que é melhor para a vida alheia. Pronto. Está registrado. Segundo passo agora é começar o post. Here I go.

Lembro-me que o canal MTV, num de seus loucos comerciais, aconselhava o telespectador a desligar sua própria TV e ler um livro. Algum tempo depois, conforme as pessoas foram tornando-se mais arrogantes, essa frase ficou mais recorrente. Eu, como boa apreciadora dos programas televisivos, comecei a refletir sobre essa frase. Deixando claro aqui que não acho que as pessoas devem passar o dia inteiro na frente da TV. Ninguém deve passar o dia inteiro fazendo uma coisa só. Também apoio que as pessoas deveriam ler mais, muito mais. Sou estudante de Letras, e com isso, passo alguma parte do meu tempo com autores consagrados e com suas obras inspiradoras. Uma coisa não exclui a outra. Encontramos coisas muito boas na TV, assim como nos livros. Penso que são apenas formatos diferentes. Assim como também encontramos coisas muito ruins em ambos TV e livros. Tudo depende do tipo de programa que você assiste, ou do livro que se lê. Depende mais ainda de quem o vê/lê. Hoje em dia, por exemplo, as pessoas acham bacana andarem por ai carregando um livro. Elas estão lendo mais do que antes, ou pelo menos fingem que o fazem. Ler é um hábito ótimo a ser cultivado. Mas fazê-lo apenas pela aparência de nada acrescenta. Quantas pessoas por ai já leram autores incríveis sem terem entendido uma palavra sequer? O que estou tentando dizer é que, o programa de TV pode ter um conteúdo tão enriquecedor ou empobrecedor quanto o conteúdo literário. O que muda a cena, é quem está absorvendo aquele tipo de informação. Quem disse que devemos assistir, ouvir, ler, comer, fazer apenas coisas "boas/construtivas"? Devemos fazer o que quisermos. Acredito, porém, que seja importante evitar a demasia em qualquer aspecto da vida. Além do mais, assistir ou ler coisas ruins pode ser tão estimulante quanto assistir ou ler coisas boas. Primeiramente porque todos nós precisamos fazer coisas simplesmente pelo entretenimento. Segundo, porque você pode assistir ou ler coisas "ruins" (tomando muito cuidado com esse conceito tão subjetivo), e a partir dali tornar-se uma pessoa mais crítica. Criticar o que está absorvendo. Criticar o quanto aquele programa ou livro distorce as coisas, ou tenta robotizar pessoas. Que fique claro aqui que falo de crítica  construtiva, e para si. Criticar em redes sociais faz de você apenas um pé no saco. Para resumir, acredito que temos o livre arbítrio para nos entreter da forma que quisermos, mas que se o fizermos de forma consciente e crítica, poderemos aproveitar um pouco de tudo. Portanto, ligue sua TV, abra seu livro, coma fast-food, tome sol sem protetor solar, ouça a música que quiser, e consuma bebidas alcoólicas. Faça o que você quiser, mas tente fazê-lo alimentando seu lado crítico. E faça-o considerando as consequências que você, e somente você, terá de arcar com. Faça o que lhe faz bem, e experimente coisas novas. Porque, claro, se você passar o dia fazendo apenas uma coisa, todos os dias, não vai descobrir coisas que podem lhe trazer tanto prazer quanto, ou até mais. Mas faça porque quer, porque gosta, porque escolheu.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Do tédio à criação.

Às vezes você fica sem ter sobre o que escrever. Não é sempre que tudo inspira um texto. Alguns dias, qualquer olhar que talvez repouse sobre você pode causar perturbação bastante que lhe renda algumas boas linhas de prosa ou poesia. Uma olhada pela janela, ou o cheiro do café, ou as gotas da água do banho. Tudo isso pode causar-lhe motivação para escrever. Mas há dias em que nada parece suficientemente bom para merecer uma forma textual. Nada parece valer o seu tempo com uma caneta ou com um teclado. Da mesma forma que um pintor não ache que uma imagem deva ser transportada para sua tela, um escritor também pode achar alguma coisa pobre demais para ser transportado para o texto dele. Mas, quando as coisas da vida parecem não merecer uma tela, um texto, uma atenção, é exatamente essa a hora de transformá-las. Até a tristeza fica bonita; invejável. O tédio vira produção, arte. Portanto, escrevo sempre. Mesmo quando não tenho sobre o que escrever. E assim eu crio. Mantenho a  imaginação ativa, e por isso, quase nunca dependo da realidade para ser feliz. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

I`m not here anymore, and once again.

Once again I step aside
Make room for what is right
Stay in the wrongness I belong
And bitterness comes along
Break up with the past again
Nothing to lose or gain
Try to make it up to my tomorrow
Whilst I wait for the end of this sorrow.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Daily Routine

Fake smiles
Swallow your anger
Pretend you care
Pretend you do not care
Hide your love
Write a few lines
And feel free.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Let me get what I want

Some people want to have amazing lives.
Me, I just want to write my book.
Forever.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

I cherish the silence of this house of mine.

I cherish the silence of this house of mine
The lack of noises makes me at ease.

In the dawn it is even better
The way everything is still.

It feels comfortable and homy
The quietness of every room.

The only room in disturbance
Is the one which I am in.

I can finally hear myself
And the lovely  voices in my head again.

And I can hear my heart beating
I can hear my lungs breathing.

It is a peaceful silence
Not a lonely one.

It is a peaceful lack of sound when no one
Not a single one can tell me what to do.



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O fim do tempo.

Pouca coisa muda dia após dia. No entanto, no final, está absolutamente tudo mudado. Cada ano é uma evolução. Não chamo evolução de melhoria; não me compreenda mal. Chamo de evolução toda e qualquer mutação. Para melhor ou pior. Os pensamentos mudam, as percepções, as decepções, as vontades, as faltas de vontade. Algumas pessoas já não fazem parte do grande cenário de nossas vidas. E você percebe que outras nunca vão deixar de fazer... Eu gosto de exaltar quem/ o que permaneceu. Os passageiros são essenciais, mas devemos entender que eles precisam passar, simplesmente. Essa sensação de final de ano me traz a sensação de final de um ciclo, e início de um ciclo novo. Mas, no final das contas, essa coisa toda nem existe. Os momentos são atemporais. Os dias, os meses, os anos, os séculos... Esses são só números. Não existe tempo. É sempre o mesmo dia. Acordamos no mesmo dia, todo dia. Essa coisa de tempo acontece apenas dentro de nós, e está relacionado com as mutações que sofremos. As evoluções. Estamos sempre abrindo os olhos no mesmo dia, com mais uma chance de fazer aquilo que não fizemos antes. Ou de fazer novamente aquilo que foi muito bem feito. Algumas pessoas fazem melhor a cada dia. Outras se perdem no caminho. Isso de fato não importa. O importante é perceber que tempo não existe. O nosso corpo existe, e ele vai ficando cansado de tantas chances. Daí, ele, o nosso corpo, ou qualquer outro corpo, começa a refletir o cansaço, nos dando a falsa sensação de que estamos envelhecendo. Eu, particularmente, aproveito muitas dessas chances dormindo. São sempre nesses dias/nessas chances que menos me arrependo do que fiz (ou na verdade não me arrependo nada). Mas não dá pra ficar parado. Temos de fingir que essa coisa toda de viver é muito importante. Aí, com todo esse fingimento dessa coisa de tempo, números, importância, ser ou não ser eis a questão, fingimos também que com o fim do ano, um ciclo se fecha. Comemoramos e passamos para as próximas realizações. É até saudável se deixar enganar, já que todo mundo decidiu ser enganado junto. Ser muito realista seria o primeiro passo à loucura (o que nem sempre me soa mau). Mas é confortante saber que o ano está acabando. Traz aquela ansiedade combustível que nos faz não querer somente sobreviver às chances, mas de fato fazer alguma coisa delas. Fazer por nós mesmos, por outros, por nada... Mas por fazermos alguma coisa simplesmente porque podemos, temos esse direito, e enquanto ainda há "tempo". 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Little darlin`

Who would say the sun would shine again?
I certainly wouldn`t.
I would say my days would always be cloudy
But you make my days sunny and bright
Not because I think about you
Not because I dream about you
Not because I expect something from you
But because you are there.
And I feel safe.
And I feel myself.
And I can be myself
And, also, because you are a part of me.
Because, in the end, I`ll always have you around.
" Here comes the sun,
It`s all right!"

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Stream of consciousness.

"When I’m waiting for the bus, making the queue in the bank or just having a walk in the park I feel my thoughts’ flow. They just don’t follow any pattern. I think about the weather, about dogs, God, making love in a church, sea, peeing, fight club and many, many other things not connected at all with each other. If you come and ask me about my thoughts my answer will be: “I m not thinking about anything”. Sometimes I can’t even tell myself what I was thinking before I started on my feet to answer the phone that rang suddenly. This long illogical stream of thoughts is what is called stream of consciousness." 


Source: http://www.daftblogger.com/james-joyce-and-the-stream-of-consciousness-technique/

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O fracasso do fim do mundo.

Lembro-me bem deste ano. 2012. Todos especulavam e faziam até piadas com essa coisa toda do mundo acabar. Algumas pessoas nos Estados Unidos guardavam mantimentos, faziam casas subterrâneas e tudo mais. Aqui no Brasil, é claro, as pessoas postavam piadas nas redes sociais e faziam programas de televisão cômicos em relação a isso. Essa é uma característica do país: piada. Eu nunca acreditei que o mundo fosse acabar assim, sem mais nem menos. Sempre achei muito otimismo das pessoas acharem que tudo acabaria e que eles não pagariam em vida pelos estragos que vinham fazendo. Alguns diziam que a punição viria pós-morte. Mas não acreditava nessa coisa de limbo, julgamento, etc. Bom, vou contar para vocês a história do fracasso do fim do mundo. Estou contando anos após, então acho que posso ter uma visão mais realista da coisa hoje em dia. Foi mais ou menos assim:
Era uma vez, um povo ... não. Não posso começar a história com "era uma vez". Ainda é "a vez". Nada mudou muito. Mas, na época, muitos estavam especulando o fim do mundo; mais uma vez. Era basicamente por causa do calendário Maia que terminava naquele ano. Lembro até que vi algumas fotos em redes sociais que brincavam dizendo que os Maias haviam ficado sem lugar para escrever o calendário e que diziam "nossa, o povo em 2012 vai surtar quando ver isso". É...alguns surtaram. Mas a maioria só estava fazendo piada mesmo. Piadas do tipo "a única coisa que me arrependerei de ter feito se o mundo acabar é ter estudado para nada." É! As pessoas achavam estudar perda de tempo. Basicamente, esse pensamento já nos alertava que o fim estava próximo. Isso sim me assustava. Ah! Houve outro indício de que o fim estava próximo! As eleições. Um prefeito de merda havia sido reeleito e isso nos levava a crer que tudo estava por um triz. Mas vamos combinar, a estupidez humana sempre reinou, e nem por isso o mundo havia acabado. E dessa vez não foi diferente. Foi com a ignorância de todo um povo que fez com que o fim do mundo fosse um fracasso. Foram pessoas que decidiram se calar, pessoas que decidiram não estudar, pessoas que decidiram não tentar nada novo. O fim do mundo, o fim daquele submundo, não chegou. Foi simplesmente uma piada. O fim deveria ter chegado. O fim da ignorância, o fim do conformismo, o fim da escória. Mas nada aconteceu. Passou o ano. Nada acabou. Nada mudou. Parece que o combustível do mundo é a estupidez e ignorância humana. E levando em consideração que ela nunca acabará, tudo me leva a crer que o esse mundo também não. O fim daquele mundo nunca chegaria enquanto as pessoas ficassem preocupadas com a inutilidade de estudar, de fazer acontecer, de protestar, de levantarem suas bundas do sofá e de fato fazerem algo para mudar suas vidas. Claro que acho difícil uma pessoa só mudar o mundo, mas foi com esse pensamento que ninguém fez nada para que ele mudasse. Mas houve quem mudasse alguma coisa. Mas a massa populacional, aquela que menos tinha acesso ao estudo, continuou sem fazer nada. Alias, faziam sim. Trocavam voto por cesta básica. Ou até, mulheres engravidando por um bolsa-família. Bolsa, cesta, essas coisas que enchem os olhos dos não-informados, que na minha opinião são informados sim, mas são muito egoístas. Bom, foi assim que as coisas continuaram na mesma. Depois de tanta tecnologia, depois de tanto avanço, a mente da maioria só retrocedia. E sempre culparam o governo, quando eles mesmos que elegiam. Então, a culpa é de quem? Bom, mas isso é outro história. Estamos aqui para falar do fim do mundo que nunca aconteceu. A verdade é que havia toda uma expectativa, toda uma esperança de que nos livraríamos disso aqui tudo e de que não sofreríamos as consequências de nossos atos. Houve uma grande decepção quando nada aconteceu. As vidas continuaram, as coisas não acabaram e nem mudaram. Foi uma depressão pós-nada. Foi ai que caiu a ficha do povo: o mundo não acabou, e ficou nas nossas mãos a responsabilidade de faze-lo seguir, mais uma vez. Claro, muito mais difícil ter essa responsabilidade nas mãos, do que simplesmente ver tudo perecer. Fracassamos em fazer aquele nosso mundinho acabar. Foi o fim de mais um carnaval, quando só sobra a sujeira. Na quarta de cinzas, não havia nenhuma cinza. Havia só quem limpasse a bagunça, e os que ficassem em casa de ressaca. E isso se repetiu ano após ano. E nada, simplesmente nada mudou. E todos viveram felizes para sempre. Ou pelo menos, sobreviveram bobos-felizes para sempre.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Do lado de fora da janela.

Aqui dentro, muita teoria. Lá fora, a natureza. Ao contrário daqui de dentro, nada é premeditado ou teorizado. Lá do outro lado da janela, o verde é simplesmente verde, e ninguém precisa estudar filósofos e antropólogos para perceber isso. Do lado de fora da janela não existe a burocracia de um teste final; um papel repleto de perguntas que irão definir o resto da sua vida. Por outro lado, o teste do lado de fora pode ser até mais difícil e pode até trazer consequências mais árduas. Aqui, do lado de dentro, é tudo tão preto no branco. Lá, o branco da nuvem, o azul, e o verde...Ah! O verde... Do lado de fora as cores me fazem querer. O dourado do sol nas pedras. Até mesmo o nublado-cinza me inspira mais. Aqui dentro tudo é repetido. Quase nada, ou nada, é descoberto. Aqui dentro sou um cérebro a ser ocupado. Do lado de fora da janela, sou parte do todo. Aqui dentro estudo Freud. Lá fora, sou objeto de estudo dele e de muitos outros. Aqui dentro, coincidentemente ou não, neste exato momento, alguém fechou a persiana da janela ao lado de mim. A professora apagou a luz. E agora abriram a persiana novamente. A professora não quis ficar no "breu" total. A luz está lá fora! É de fora para dentro. Mas é aqui dentro que nos preparam para todo o resto. Como algo laboratorial nos prepara para a natureza? Aqui dentro, grande e vidro. Lá fora, a liberdade e todo o infinito. Mas o que é a liberdade se estivermos presos dentro de nossa própria mente? E é aqui do lado de dentro que eu corto as correntes. Estou aqui para não precisar mais estar aqui. Liberto-me de minha prisão mental aos poucos, aqui dentro. E, para o lado de fora da janela, talvez um dia realmente estarei preparada. Enquanto não, aqui estou. Sentada, apreciando o lado de fora, escrevendo sobre o lado de fora, almejando o lado de fora, pelo lado de dentro.

domingo, 4 de novembro de 2012

Lorena e o espelho.

Aquela menina sempre se olhava muito no espelho. Ela gostava de se olhar. Nem sempre ela gostava do que via, mas ainda assim ela gostava de se olhar. Uma vez, em uma aula sobre fundamentos psicossociais da educação, ela ouviu sua professora dizer que nós somos um conjunto de três imagens: a imagem que as pessoas fazem de nós, a imagem que vemos no espelho, e nossa real imagem. A professora também mencionou que, pessoas com distúrbios alimentares, por exemplo, viam-se completamente diferente do que realmente eram, ao olharem no espelho. E que esses distúrbios aconteciam devido a preocupação que essas pessoas sentiam com a imagem que os outros faziam delas. A interferência da imagem que as pessoas fazem de nós acaba refletindo na imagem que vemos ao olharmos para o espelho, mas de fato, era a nossa real imagem que contava. Lorena olhava muito para o espelho. E cada dia olhava mais. Ela queria enxergar com clareza a sua imagem. Ela queria refletir exatamente do jeito que era, e não do jeito que as pessoas faziam ela se enxergar. Cada vez mais ela ficou obcecada por sua "imagem real". Todos os dias ela ficava horas em frente ao espelho de seu quarto. Depois, ela passava dias em frente aquele espelho. Ela ficava tentando visualizar como ela era de verdade. E percebeu que cada dia ela se via de forma diferente. Isso a confundiu. Ela não conseguia distinguir quem ela realmente era. Um dia, Lorena percebeu que a sua terceira imagem, a sua real imagem, jamais apareceria claramente. Ela começou a pensar, então, que nunca estaria livre das interferências de terceiros. Ela sempre veria aquela mistura de imagens refletida. Ela desistiu de se olhar. Aquela obsessão não acabou, porém. Apenas mudou. Piorou. Ao invés de passar dias em frente ao espelho. Ela retirou todos os espelhos de sua casa. Ela abaixava sua cabeça toda vez que via sua imagem refletida em qualquer lugar que fosse. Ela não queria mais se ver. Ela queria encontrar a sua real imagem sem  que nada se misturasse. Lorena teve algumas crises. Não era fácil ficar sem se ver no espelho. Para curar essas crises, ela resolveu criar uma imagem simbólica dela mesma. Ela fazia de seus atos, o reflexo de sua imagem. Ela queria ser vista pelo que ela era, e não pelo que ela parecia. Ela estudava muito, era boa com as pessoas, fazia de tudo para ser uma pessoa melhor a cada dia, e cada vez mais ela só fazia o que faria dela ser melhor vista aos olhos de outros. Com o tempo, Lorena sentiu-se aliviada. Ela estava gostando do seu novo estilo de vida. Decidiu que aquela coisa de não se olhar estava ficando um pouco estranha demais. Lorena comprou um espelho. Levou para casa embrulhado, e só realmente se olhou quando sentiu-se preparada. Ao olhar novamente no espelho, depois de muito tempo, Lorena sentiu um certo choque. Quando ela se olhou, ela não se reconheceu muito bem. Suas feições haviam mudado um pouco, haviam algumas marcas diferentes. Ela não sabia dizer o que havia acontecido. Outra crise atacou Lorena. Dessa vez, Lorena quebrou o espelho com tanta força que alguns estilhaços de vidro perfuraram sua face. Nada grave, mas Lorena levou um susto. A caminho do hospital, ela ficou calada. Não contou a ninguém o que havia acontecido, porque ela mesma não sabia explicar. Ao chegar no hospital, Lorena deparou-se com umas pessoas que estavam lá ajudando pacientes com doenças graves. Essas pessoas tinham uma coisa em comum. Todas elas tinham marcas severas de queimadura. Ela então perguntou ao médico o que havia acontecido com aquele grupo de pessoas. O médico lhe disse que, há algum tempo, havia acontecido um incêndio na loja perto do hospital, e que aquelas pessoas haviam sido levadas para a emergência de lá. Aquelas pessoas ficaram tanto tempo dentro daquele hospital, e sofreram um trauma tão grande, que muita gente se sensibilizou e visitou inúmeras vezes levando apoio e também algumas doações para que aquelas pessoas pudessem fazer uma reconstrução  das partes do corpo que foram arruinadas pelo fogo. Apesar do carinho e da doação, aquilo não foi o suficiente para que elas recuperassem sua imagem antiga. Depois de todo aquele sofrimento, e carinho ao mesmo tempo, aquelas pessoas viraram voluntárias naquele hospital. Estavam ali para dar apoio psicológico para alguns pacientes com casos graves, ou até mesmo em fase terminal. Foi então que Lorena sentiu vergonha dela mesma. Ela estava ali, tentando ser uma pessoa melhor apenas para que as outras pessoas a enxergassem de tal forma, e que assim ela pudesse se olhar tranquilamente no espelho, enquanto outras pessoas faziam o bem para as outras não pela aparência, mas pelo retorno de carinho e dedicação. Lorena entendeu, ao sair daquele hospital, que a nossa real imagem é na verdade a mistura de tudo. É a mistura do que nós realmente somos, com o que as pessoas veem em nós, com toda  a nossa história, nossos defeitos, nossas tragédias, nossas alegrias, e enfim, a "real imagem" é exatamente aquilo que somos, mas que muitas vezes não enxergamos, ou não damos atenção. Ela percebeu que não importava se ela se olhasse por dias, ou se não se olhasse nunca. Quem ela era não dependia disto. E muito menos, dependia de que ela fizesse qualquer coisa apenas na intenção de ser "bem vista". Sempre  haveria alguém que a visse de forma ruim, no final das contas. Mesmo que não dissessem. Sempre haveria um momento que ela também se veria de forma distorcida no espelho. Mas Lorena teve certeza, naquele dia, de que há coisas muito mais profundas e reveladoras do que a imagem que refletimos. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Primeira página de Dona Helena - Menção à capa.

Apenas os que transpassarem a superficialidade das aparências conseguirão compreender a real profundidade de uma obra, de um personagem, e de uma pessoa. Somente os que se dispuserem a cavar fundo terão o direto de desfrutar os prazeres das camadas mais internas da mente humana.

Teaser de Dona Helena

" Será que é isso que chamam de epifania? Estou aqui, parado, diante desta imagem, e sinto que nada é como parecia ser. Eu estava no ensaio sobre a minha própria cegueira. E eu era o único que enxergava, mas decidia não ver. Mas essa luz branca que me cegava, essa luz da conformidade, foi tomada pela escuridão da alma de Sofia. E através da escuridão dela que eu consigo novamente enxergar. Nada é tão simples como parecia ser. Toda a minha vida foi um faz-de-conta narrado por mim, atuado por mim e lido por mim. Estava preso, 'trapped', e não foi culpa de Helena; a culpa foi mais minha do que de qualquer outra pessoa. Mas ela teve uma grande participação nisso tudo. Sempre manipuladora, egoísta; não me deixou saída."

sábado, 27 de outubro de 2012

Insira o título aqui.

Quando tento muito escrever e não consigo, quando sinto aquele bloqueio inevitável se aproximando, penso que talvez eu esteja muito mais preocupada em  escrever para os que vão ler, do que com o bem-estar que sinto quando escrevo. Acho que de tanto me dizerem que quando escrevemos devemos fazê-lo para que alguém leia e, de tanto tentarem me convencer que não existe essa coisa de "escrever simplesmente pelo prazer de escrever", acabei interiorizando essa ideia e ela vem me perturbar de tempos em tempos. Não acho que sempre escrevemos com o propósito de sermos lidos. Nem sempre isso vai acontecer. Mas você sempre lerá aquilo que você produzir. Então por que não escrever para si? Não posso sempre escrever esperando que alguém vá ler e pensar sobre. Não posso pensar se vão ler, como vão ler, quando vão ler. Porque se assim eu fizesse, estaria dependendo de um leitor para tonar-me uma escritora. Seria aquela coisa de "não existe senhor do engenho sem escravo". Não quero que quem eu sou dependa de como me enxergam. Não quero ser assim. Quero escrever e me sentir escritora mesmo quando não tiver ninguém para ler. Quero meus livros nas prateleiras mesmo que não haja ninguém para comprá-los. Sentirei-me honrada quando lerem, mas não posso esperar que assim sempre seja. Não posso sentir-me menos honrada como escritora quando não houver quem me encare como tal. Se minhas palavras forem lidas, elas ganharão mais vida, mais valor; mas minhas palavras não podem deixar de possuir o devido valor caso não sejam lidas. Minhas palavras e tudo que escrevo vive por si só; são independentes. Mas ao serem lidas, as palavras tornam-se mutantes, e ganham mais força e poder. Portanto, não escreverei querendo que todas elas sejam lidas, mas escreverei por acreditar na força que elas previamente possuem, antes mesmo de serem.. E assim, acreditando na força natural que elas carregam, esperarei que, com sorte, elas sejam absorvidas por outras mentes e que essas mentes as transformem em algo ainda mais valoroso. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Enjoy me right.

Grant me with thy joy
Please me with thy presence
Benumb me with thy strong taste
Grasp me with thy non-gentle touch

Touch me like would a magical wand
Taste me like a thirsty tongue
Present me as glory
Enjoy me right


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Espaço em branco.

Meu tempo corre com passos largos
E meu mundo esforça-se para acompanhá-lo
Eu, obediente como sou, tento também a eles seguir
Por isso corro contra o tempo, com o tempo, pelo mundo.

Enquanto o tempo me arrasta pelos cabelos
Desesperada, faço tudo; e ainda me parece pouco
Nada é suficiente para esse mundo guiado por loucos
Assim, acelero os começos como se do fim eu mais precisasse.

A fim de não parecer tão diferente
Eu também faço toda uma Era em um mês
Sinto-me insatisfeita com o vazio da pressa
Mas, fora dela, tampouco preenchida sentir-me-ei

Pois é neste tempo em que eu vivo
Não em qualquer outro que me soe melhor
É este o tempo que me foi dado, e é nele que habito
Por este motivo, nas páginas vazias eu mesma escreverei.




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Chips into the sheeps.

All words have already been said
Said to the world that all news are old
Said in times when people are too busy to listen
Said to the minds of meaningless rush-hour thoughts

Wizards of words are now dead
Empty books raise more than a million
New potential poets laureate starve to death
And to the black hole of stupidity we are all dragged

All words have been said
And yet one question remains:
After all the great effort and attempt
Has anybody placed a chip in your brains?

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Romantic talk.

- How annoying are you!
- How so?
- This breathing of yours...
- If I do not breath, I shall die.
- The first time you said something pleasant to me.
- How dreary to be such annoyance to you.
- Why what I think of thee bothers you so much?
- You do not bother me.
- I do not?
- Surely not.
- And why on earth are you worried about being an annoyance to me or not?
- It is not of my deliberated intension to disturb who I care about.
- Do you actually care about me?
- You are the only one I care about.
- If that is so, I beg you to never stop bothering me with thy breathing.
- If it is of your desire...

sábado, 29 de setembro de 2012

Anguishes of a dreary night

Battles in the depth of the soul
Fierce thoughts I write upon the paper
The smoke of my companionship I fairly blow
A screaming mind is what I have as a silence breaker

When it all seems to be just a bad taste joke
I am always the only one who never seems to laugh
And with my own destructive words I graciously choke
Fortunately I have my own faithful inner demons in my behalf

Throughout this endless one-warrior war
Glimpses of a fair life I see at the end of the tunnel
Hoping my worldly skin will finally heal my wounded core
I mercilessly fight back and all my imaginary enemies I pummel.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Life in a Love by Robert Browning

Escape me?
Never Beloved! While I am I, and you are you, So long as the world contains us both, Me the loving and you the loth,
While the one eludes, must the other pursue.
My life is a fault at last, I fear:
It seems too much like a fate, indeed!
Though I do my best I shall scarce succeed.
But what if I fail of my purpose here?
It is but to keep the nerves at strain,
To dry one's eyes and laugh at a fall,
And baffled, get up to begin again,
So the chase takes up one's life, that's all.
While, look but once from your farthest bound,
At me so deep in the dust and dark,
No sooner the old hope drops to ground
Than a new one, straight to the selfsame mark,
I shape me
Ever
Removed!
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A dois, ou a três? Não responda!

Homens, para o bem da continuidade da raça humana e, principalmente, pelo bem do sexo frágil masculino, quero vir aqui dar um conselho: nunca respondam a pergunta inocente de uma mulher sem antes pensar e repensar nas causas e consequências; mulheres não dão ponto sem nó. Há alguns dias, quando ainda era feliz e não sabia (bons tempos aqueles que eu sabia guardar uma opinião para mim mesmo), respondi inocentemente à, também aparentemente inocente, pergunta da minha doce Stella. 

Stella e eu éramos um casal feliz, recém-namorados, estávamos ainda descobrindo tudo um sobre o outro. Aquela fase de perguntas incessantes, e respostas camufladamente verdadeiras. Perguntas bobas do tipo "praia ou montanha?" , "doce ou salgado?", "banho quente ou frio?". Sabe? Perguntas que fazemos (ou na maioria das vezes a mulher nos faz) para termos certeza se nossos gostos batem. Mas, com mulheres, nada é simplesmente pelo prazer da pergunta, da descoberta. Todo aquele interrogatório doce e cheio de gargalhadas era apenas um aviso (o qual raramente homens percebem) de que as perguntas mais capciosas estariam por vir. É uma coisa meio que "teste com a máquina da verdade". Primeiro te pedem para responder coisas banais, como a cor da sua escova de dente. Depois algo que você tenha que refletir um pouco mais, como qual a sua comida favorita. Quando você começa a ficar à vontade com todas aquelas perguntas, eles te perguntam se você matou ou não o cara. Pois então, com a Stella foi bem parecido, salvo que a cadeia teria sido menos dolorosa do que minha discussão com Stella. 

Numa dessas conversas de início de namoro, Stella me perguntou, com aqueles olhos doces, e carinha de sapeca, se um dia eu já havia cogitado fazer sexo com mais de uma mulher ao mesmo tempo. Primeiramente: quando uma pessoa faz um pergunta e já sabe a resposta, boa intenção ela não tem. Se ela estivesse afim de fazer sexo comigo e mais uma, ela não perguntaria, ela apenas daria a ideia. Mas enfim. Meu cérebro começou a latejar, parece que mil placas vermelhas luminosas surgiram na minha frente. Mas, eu deliberadamente as ignorei. Stella poderia realmente só estar fazendo uma pergunta por curiosidade, e eu, machista como sou, estaria julgando a coitada sem antes lhe dar uma chance. Pois bem, lhe dei o benefício da dúvida, e fui sincero como nunca. Disse que acharia ótimo fazer sexo com mais de uma mulher. Como mentir sobre uma coisa dessas? Ela saberia que eu estaria mentindo. Todo aquele papo de "você me é suficiente" não convence as mulheres espertas de hoje em dia. 

- Se você estivesse junto, claro que eu adoraria. 
- Humm...

Por alguns instantes, o silêncio de Stella me pareceu pior do que cair numa piscina de lâminas de barbear e logo em seguida cair numa piscina de álcool. Sim, tortura me pareceu mais suave. 

- Eu já suspeitava da resposta. Só queria saber se você seria sincero comigo.

O alívio foi imediato. Stella era sim diferente das outras! Ela era sim compreensiva! Tudo voltaria ao normal, e eu ainda ganharia o prêmio de namorado sincero do ano. 

- E se eu quisesse transar com você e mais um homem ao mesmo tempo?

Estava muito bom para ser verdade. Mas também, não sei como fui inocente ao ponto de não identificar o "Humm..." perigoso no meio da conversa. 

- Depende, Stella. Você leva nosso relacionamento a sério?
- Claro que levo. Levo a sério todo e qualquer compromisso meu. 
- Então, acho que a pergunta não vem ao caso. 
- Mas você leva o nosso relacionamento a sério?
- Claro que sim.
- Mas você disse que adoraria transar comigo e mais uma. 
- É diferente, Stella.

Acho que até então eu tinha escapatória, a partir daí, minha sentença estava definida. E era de morte!

- Diferente como? Posso saber?
- Um homem transar com a sua namorada e um outra menina não quer dizer que ele não respeite a sua namorada. Até porque, a outra menina vai ser alguém que respeite os dois igualmente. Mas, tratando-se de homem, o outro homem que você escolher com certeza não vai lhe respeitar; e muito menos a mim. Vai achar que sou um corno, otário, que deixa  a namorada dele ser comida por outro. 
- Mas eu não seria uma corna, otária, que deixa o namorado comer outra?
- Obvio que não. Você seria compreensiva. Veja bem, Stella. As coisas sempre foram e sempre serão diferentes para homens e mulheres. Não importa o quanto vocês achem que não. Não sou eu quem dita as regras. A sociedade é assim. 
- Concordo. A sociedade é mesmo machista. Não é esse o meu ponto. Esqueça essa coisa de homens e mulheres. Você acha que se eu levar você a sério, eu não vou querer transar com outro, certo?
- Acho que sim, Stella. Acho que quando você gosta de alguém, esse alguém lhe é suficiente.

Nesse momento sim, perdi a última gota de sangue que me restava. Eu estava usando do argumento feminino para poder defender minha ideia. As voltas que uma conversa com uma mulher pode dar...

- Tudo bem. Então, nesse caso, você acha que gostar realmente de alguém quer dizer não sentir atração sexual por nenhuma outra pessoa?
- Não. Acho que é natural sentir atração. Esta é a nossa parte animalesca. Mas a nossa parte humana, racional, que convive com a moral, nos deve fazer enxergar que não é um comportamento apropriado. Voltando ao assunto homem e mulher, se você quisesse transar comigo e mais uma mulher, esse comportamento ainda é menos condenável do que você querer transar comigo e com outro homem.
- Você diz então que só não transaria comigo e com outro homem porque isso seria condenável?
- Não só por isso! Mas porque eu não quero ver nenhum outro homem encostando na minha mulher. Muito menos quero um homem pelado dividindo a mesma cama que eu. 
- Mas eu posso querer uma mulher pelada dividindo a mesma cama e ainda tocando no "meu" homem?

Quando mulher começa a colocar aspas no ar enquanto fala, não tem mais jeito. Ou você concorda, ou você concorda. 

- Você percebe que, por mais que seja incoerente, é assim que as coisas funcionam?
- Claro! Não sou ignorante ao ponto de achar que seria tudo bem. 
- Ainda bem.

Nesse momento achei que tinha virado o jogo. Ledo engano.

- Mas ...
- Puta que pariu. - pensei alto 
- E se eu imaginasse essa transa a três?
- Você pode imaginar o que você quiser, Stella.
- Posso imaginar porque ninguém ficaria sabendo, e então ninguém me condenaria.
- Exatamente. Boa garota.
- Se viajássemos para Europa, sozinhos, e encontrássemos um bonitão por lá, que ninguém conhece, e que ninguém nunca ficaria sabendo, tudo bem então?
- Não, Stella. Não! Quer saber? Você está certa. Relacionamento é a dois. Eu jamais conseguiria dividir uma cama com mais alguém, homem ou mulher! É só você que eu quero, e por inteiro. E eu quero ser só seu por inteiro também! Esquece isso. Eu estava completamente equivocado. 

Nessas horas, a gente perde os bagos. 

- Ah sim. Bom, que pena. Minha amiga Danielle nos convidou para passar uns dias na casa dela na Europa, achei que algo poderia rolar. Mas já que você acha tão repugnante a ideia de dividir a cama com mais alguém que não seja eu, vou cancelar.

Encarei Stella por eternos 2 minutos. Tempo suficiente para contar cabeças rolando, e me acalmar um pouco. Precisava muito de álcool naquele momento. Não tinha!!!!!

- "Stellaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa"

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Untickable clock.

You look at the clock
The clock doesn't tick
You count the seconds
Seconds seem hours

You live in slow motion
You pray for weekend
Time never flies
Everything is the same

Hours seem days
The weekend has arrived
Everything continuous the same
Excepet for time which is relative

Time goes by in a blink of an eye
There is another week again
Days seem months
And suddenly the year is over.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A qualidade teimosia.

Eu tenho plena consciência do quão não-talentosa eu sou. Eu sei também, que não sou a pessoa mais estudiosa que existe. Ainda tenho muito que aprender. Assim como eu sei que ainda não li nem o início do que já deveria ter lido. Minha ortografia nem sempre está correta, e minha linguagem nem sempre anda de mãos dadas com a norma culta da Língua Portuguesa. Sei até que já classificaram meus textos como auto-ajuda. E já censuraram outros textos por terem linguagem chula. Tenho noção de que meus textos causam dores oculares em alguns leitores mais críticos. Tão críticos ao ponto de se cegarem, e não criticarem a si mesmos. Tão críticos, que esquecem que a definição de bom e ruim lhes foi imposta, e que eles aceitaram sem criticar. Sei que há pessoas muito talentosas por ai, que já viveram bastante. Pessoas com mais experiência de vida e que têm muito mais sobre o que falar. Pessoas que seguem a norma culta, que escrevem de uma forma rebuscada. E até mesmo pessoas que já nasceram para isso. Acredito sim, que talvez eu tenha nascido para isso também; mas tenho certeza que nada virá de mão beijada para mim. Não pensem que porque escrevo constantemente, que me acho merecedora do título "escritora". Mas tenho certeza que um dia merecerei. Não sou talentosa. Eu sou mesmo é teimosa. Não. Não me acho "poetisa eleita", como Florbela Espanca sonhava em ser. Também não me acho brilhante ou genial, e que por isso todos deveriam me ler. Mas gosto quando o fazem, e tenho certeza que sou uma das poucas pessoas com tanta vontade de ser escritora. Sou, também, uma das poucas pessoas que conheço com o nível de teimosia tão assustador. Vivo em função de uma coisa, e uma coisa apenas: ser uma escritora reconhecida e renomada. Não tenho outros sonhos. Não quero me casar, ter filhos, construir uma família. A família que já possuo me é suficiente. Tampouco quero ser rica e/ou estar no poder. Não existe espaço para outros sonhos na minha vida; esse já é gigante e me ocupa todo o espaço. E por mais que minhas produções atuais possam não indicar uma futura carreira de sucesso, eu duvido mais da morte do que da realização dessa tarefa.  Então, acredito que minha vantagem seja esta: não sou das mais talentosas, mas sou, de longe, uma das pessoas mais teimosas que já se viu por ai. Pode perguntar...

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Happy hour com Edgar.

Numa meia-noite de calor, enquanto eu bebia, uma bebida forte e animada, o som de alguém batia fortemente na janela de meu aposento. Me lembro bem! Era noite de calor em Dezembro, aqui no Rio. 

"Uma visita" , eu me disse, "está batendo na janela de meu aposento. "É só isto, nada mais". 
Levantei-me de meu sofá, abri então a vidraça, e eis que lá estava! Meu querido Edgar. Lhe disse então:

- Se eu fosse Fernando Pessoa diria que tu queres adentrar pela porta de meu umbrais! Só entras se trouxeres o Cuervo. Não me entenda mal! Não estou falando daquele corvo falastrão. Refiro-me a José Cuervo.


- Gostaria só de uma companhia para esquecer aquela vadia, nada mais.


Entrou grave e nobre com o Cuervo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento. Mas com ar solene e lento pousou-se sobre meu sofá. Num sofá que nem Atenas resistira, um bom José Cuervo começamos a tomar.


- Tens o aspecto tosquiado. -  disse eu enquanto despejava o líquido cor de ouro em vosso copo


- Passes o que passei com uma mulher daquelas e tu entenderás a minha face de loucura. Como sabes comecei até a falar com animais. 


- Queres um pouco de sal e limão?


- Só a tequila, nada mais!


Perguntei-lhe então se pensavas em outra moça encontrar, e assim esquecer da última que lhe fez desmoronar. Depois de um gole súbito, respondeu-me com palavras duras tais quais:


- Apego por alguém? Nunca mais!


Insisti:


- Mas nem ao menos dar-te-á a chance de novamente se apaixonar? Aquelas desavenças de outrora foram coisas banais!


- Aline, acredite, nunca mais!


Percebi então que o homem não estava para papo. Aquela moça realmente o deixou marcado.


- Ouvi dizer que havia morrido, a moça. E que tu tinhas ficado louco.


- Morreu mesmo. Morreu para mim. Mas para os outros com os quais ela circula por ai continua bem viva. E esses tipos são todos bem iguais. Apaixonar-me? Nunca mais!


- Mas e sua loucura? Curou-te como, homem? - Disse, enquanto despejava pela garganta mais um gole


- De fato louco fiquei. Mas curei-me de minha loucura quando vim para tuas terras. No aposento onde me escondia, não há ser humano ou animal que mantenha suas faculdades mentais.


- E tu para lá voltarás?


- Desta terra libertar-me-ei, nunca mais!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Broken glass is trash.

There is a barrier in my life I may never surpass
Inspite of the hardness shouting from my core
I am like a frail, easily breakable kind of  fine glass
Desperately hoping not to be accidentally dropped on the floor
But when it happens, I wait for you to clean up the mess
Wishing my parts on the floor are not stepped on anymore

While you gently gather my broken parts
A screaming sound of me scratching thy ground is heard
I, then, leave on the clean shiny floor of yours my marks
And by you, I am harshly thrown away under no gentle word
Silently and patienlty you watch me while my body departs
Wondering how a pretty fine glass could cause so much absurd

I then tell you before I am finally taken away
That I cause abusrd because from absurd I am an effect
Due to cause and effect I was found on your unlucky highway
I would not stay longer than that, as a matter of fact
However you told me to leave with no longer delay
And you got rid of the broken me as you do with an insect.




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

The weather matches my mood

The weather matches my mood
Cold and windy
My sorrowful marshy wood
Rigid and chilly

The weather feels like my wound
Harsh on the flesh
My humanity got marooned
A love thrown in the trash

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A constante inconstância do ser.

Frequentemente escuto pessoas dizendo que pessoas não mudam. São elas dizendo que elas não evoluem (um tiro no pé). Não venho aqui dizer se estão certas ou erradas. O que eu sei? Mas penso que a vida é transitória. E assim também são as vidas, as pessoas. Somos seres transitórios assim como a vida é; estamos em constante processo de mutação. Dizer que as pessoas não mudam, é dizer que não aprendemos. Talvez alguns realmente não aprendam nada com a vida, mas não acredito nisso como uma regra geral. Algumas pessoas aprendem eventualmente, no final. Algumas pessoas aprendem coisas ruins ao invés de aprender coisas boas e construtivas. Mas também, o que é aprendizado bom ou ruim? Existe isso? Is there such a thing?

Situações mudam. Conhecemos pessoas novas. Re-conhecemos pessoas velhas. Vivemos. Nós todos vivemos. Até mesmo dentro de casa, sozinhos. Pensamentos nos mudam. Somos mutáveis. Não estáticos. Prova disso está na história, na sociologia, na psicologia, na tecnologia. Nas mudanças de conceitos, de pre-conceitos. Podemos manter algumas características, mas isso não quer dizer que não mudamos em nada. Talvez aquele defeito ou qualidade muito marcante de sua personalidade permaneça, mas isso não quer dizer que outros defeitos e qualidades não mudem também. Aliás, manter nossa identidade é fundamental. Mas seres humanos são os seres mais capazes de adaptação que existe. Adquire-se conhecimento, compartilha-se também. A cada felicidade, dor, decepção e esperança, mudamos um pouco a nossa forma de ver o mundo, e consequentemente, mudamos nossa forma de pensar, agir e viver. 

Dizer que as pessoas não mudam, é dizer que somos burros empacados. É dizer que não saímos do lugar, ou ainda que andamos em círculos. Mesmo andando em círculos, nunca andaremos sempre da mesma forma. Já ouvi dizer: "as pessoas não mudam, elas apenas melhoram ou pioram". E isso não é mudar??? Talvez algumas pessoas mudem para pior, ou para melhor; mas elas mudam. Não estudei sobre isso, e nem venho dizer que sei muito sobre a vida para falar sobre isso. Mas acredito que todos, estudantes do assunto ou leigos, temos o poder de percepção e avaliação, mesmo que algumas vezes equivocada. Com essa minha capacidade de percepção, acredito que as pessoas mudam sim. Talvez a mudança não seja significativa aos olhos de outras pessoas, mas para nós, os que mudam (todos), ah! faz toda a diferença. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Happy Hour com Ernest



            Quem teve esses dias lá em casa foi o Ernest. Sabe? Ernest Hemingway. Então. Ele me confessou que estava cansado dos Mojitos e do Daiquiri do La Floridita, e pediu que eu fizesse algo mais brasileiro.  Ele também confessou que sempre foi fã do Brasil; um país de poucas guerras. Surpresa com sua afirmação, eu lhe disse:

 -  Hemingway, querido, se você acha que temos poucas guerras por aqui, você deveria frequentar menos a zona sul e um pouco mais a vida real.

 Demos risada da trágica realidade e fomos aos trabalhos. Começamos com a tradicional caipirinha.
Ele me disse que gostou  da casa, e que ele tava precisando mesmo de um lugar limpo e bem iluminado para conversar.  E uma outra pessoa, que não ele mesmo, que não tivesse ninguém para quem voltar; alguém que não tivesse hora pra terminar a bebedeira.

Papo vai, papo vem...mencionei que estava com alguns problemas na família. Minha família está em pé de guerra. Sabe aquele momento que você acha que família é mais maldição do que benção? Mais ou menos isso. Ele me contou que também teve lá seus problemas, e me alertou:

-  Aline, não importa quão necessária ou justificável seja uma guerra, ela será sempre um crime. Mas eu não vim dirigindo, então não vou cometer crime algum se beber mais uma. Ou umas.

 Depois de suas sábias palavras, como sempre, fomos preparando mais algumas.

Deixe que ele preparasse algumas. Ele fez uma... que estava tão boa, e tão forte, que chegava a ser uma bebida imoral. Ele pegou a garrafa de cachaça, colocou mais uma dose em seu copo e resmungou algo do tipo:  

- Sobre moral... eu sei que alguma coisa é moral apenas quando você se sente bem após fazê-la, e o que é imoral é quando você se sente mal após.

 Ele ainda não sabia das consequências da cachaça brasileira no dia seguinte.

Estávamos ficando embriagados. Eu mais do que ele. Comecei a dizer coisas que todo bêbado diz: que vai fazer e acontecer, revirar o mundo de cabeça pra baixo, revolucionar a história, colocar lenha na fogueira mesmo. Ele me encorajou. Disse que quando eu ficasse sóbria deveria mesmo fazer tudo aquilo. Que eu mantivesse minhas promessas. Eu fiquei surpresa... estava falando bobagens que nem eu mesma levava a sério. Ele me disse:

- Sempre faça sóbria o que você disse que faria enquanto bêbada. Isso vai te ensinar a ficar de boca calada.

  E assim fiquei, de boca calada. Depois disso, disse mais uma coisa que muitos já prometeram:
 - Se é assim, nunca mais volto a beber.

Meu parceiro de copo me disse que seria necessário que eu bebesse mais vezes, com mais vontade. Ele me disse:

-  Um homem inteligente é algumas vezes forçado a ficar bêbado para conseguir conviver com os tolos.

Eu perguntei, brincando com sua seriedade:

- Então eu sou a tola da vez? Por isso você não larga essa garrafa de cachaça?

  Caímos na gargalhada.

A manhã veio chegando. Ernest decidiu ir pra casa. Eu disse a ele que aquela bebida tinha acabado com a gente. E que o dia seguinte seria doloroso. Ele, saindo devagar da casa, me alertou:

- Um homem pode ser destruído, mas não derrotado.
 Ahh, esse cara é uma figura...

domingo, 5 de agosto de 2012

Um momento perdido



Não acho que a vida seja curta. A vida é muito longa, quase sempre. O que nos faz achar que ela seja curta, é o fato de desperdiçarmos horas, dias, anos, ânimos, em coisas e/ou pessoas que só fazem fazer nossa vida encurtar. Momentos perdidos que serão esquecidos, momentos totalmente arrependidos. É assim que me sinto quando perco um momento...arrependida. Esse arrependimento fica ainda por um tempo dentro de nós, e mais tempo, então, é perdido. E se eu pudesse voltar no tempo não faria tudo igual, como as pessoas alegam. Faria tudo ao contrário. Erraria muito menos, e gastaria todo meu tempo acertando com as pessoas. Meus erros me fizeram crescer, mas isso não quer dizer que acertos também não me fariam. 

Mas olhando para outro lado que não o da frustração, pego-me pensando que talvez momentos perdidos não sejam tão perdidos assim. Como aquele clichê "os erros do passado me tornaram a pessoa que sou hoje". E estou muito satisfeita com quem sou hoje, e com quem desejo ser no futuro. Todos os meus erros me prepararam. Não sou uma pessoa que "quebra" fácil. Numa expressão que gosto em Inglês "I`m tough". E isso, talvez muitos acertos e vida perfeita não me dariam. Olhar para o passado é sempre uma mistura de arrependimentos e saudosismo. Por mais erros que eu já tenha cometido, gosto de olhar pra trás e ver que me virei bem. E sinto falta dos velhos tempos, que não voltam mais. Então penso que, melhor estar entre momentos perdidos e outros ganhos, do que estar entre momentos nem perdidos e nem ganhos, mas insignificantes.

A vida é longa demais, quase sempre. O problema é saber o que faz encurtar a vida, e continuar batendo na mesma tecla. Crescer é inevitável. Crescer sabiamente é um pouco mais difícil. Errar é essencial. Acertar também, caro leitor. Há quem erre e aprenda com os erros; e então um momento desperdiçado serviu para  dar um passo à frente. Mas há quem erre, e continue errando, e saiba quão errado está, mas mesmo assim insiste em errar. Pura ignorância. Talvez, seja uma vida inteira desperdiçada, e nenhum passo à frente. A vida é longa, mas num piscar de olhos, ela termina. A "ultima porta" se fecha. Desperdiçar momentos com erros enriquecedores é deveras válido. Mas desperdiçar momentos uma vida inteira para que no final nada tenha sido aprendido e mudado, bom, isso sim torna a nossa vida curta. A ignorância torna a vida curta. Curta e amarga. Amarga e desperdiçada. Desperdiçada e esquecida. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Feras domadas.

Segundo Jean-Jacques Rousseau, o homem nasce bom (ou puro) e a sociedade o corrompe. O que nos leva a pensar: do que é composta a sociedade? De homens! Então, como não pensar que então o homem corrompe a si mesmo? Nascemos bons e puros? Psicopatas foram corrompidos pela sociedade? E por que existem níveis de psicopatia? Tudo bem que psicopatia é uma doença que pode ser desenvolvida com o tempo. Mas se ela não veio com o nascimento, por que a sociedade faz isso só com a minoria das pessoas? Será porque alguns tenham o psicológico mais fraco que os outros? Então, eu poderia dizer que a sociedade corrompe apenas os menos psicologicamente capazes de suportar?  Ou então, todos sejamos psicopatas, mas a "moral e bons costumes" de nossa sociedade nos impede de agir conforme o nosso lado animal gostaria. Sei que é um parágrafo confuso, com muitas perguntas e poucas respostas. Mas escrevo como penso. E penso, logo escrevo. E de fato, penso muito mais em perguntas do que em respostas. Questionamento mais do que afirmação. 

Se você pudesse, sem que ninguém te visse ou te julgasse, você mataria alguém? Pense em alguém que lhe causa repulsa. Você faria isso? E seria rápido e indolor, ou lento e doloroso? Torturadores da polícia são desumanos, ou humanos demais? Quem merece morrer pelas "nossas" mãos? Vamos pensar em algo mais perto de nossa realidade (espero eu): você aceitaria uma promoção mesmo sabendo que alguém mais capacitado do que você está sendo prejudicado por não receber essa promoção? Coleguismo é imperdoável, ou naturalmente faz parte da nossa rotina? Você trairia? Um namorado, um amigo, um familiar? O que é traição para você? O que é aceitável, e o que foge dos limites? Que limites? Depende de cada cultura. E aí, penso então, que cada ser humano nasce com sua dose de maldade e bondade, e então se adapta à sua respectiva sociedade, por sobrevivência. Mas ainda existem aqueles não se adaptam. Então, talvez a sociedade não corrompa, mas dome os instintos. Os "corrompidos" são os não-domados? A sociedade é domadora em diferentes níveis.

Tenho certeza que psicólogos, antropólogos e afins, já tenham pesquisado muito, e escrito muito sobre isso. Mas o propósito do blog não é vir aqui afirmar e repetir o que já foi dito (não que eu não ache muito valoroso). O propósito é trazer perguntas, e discutir entre leigos sobre o que pensamos. Não é necessário estudar anos para pensar sobre as coisas. Nos cabe também. E você, querido leitor? Concorda ou discorda de Rousseau? 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Inspiração.

Não são apenas os artistas que precisam de um pouco de inspiração diária. Qualquer pessoa, qualquer trabalhador, estudante, qualquer um que foi pego pela máquina sociedade, precisa de inspiração. Talvez algumas pessoas não param para reparar, mas continuamente buscamos por alguma coisa, uma pessoa, um lugar, que nos inspire a continuar vivendo. Para tudo que se faz sem inspiração, um momento foi desperdiçado. 

Eu, por exemplo, busquei por uma viagem. Aliás, algumas vezes buscamos a inspiração longe da nossa realidade. Mas a verdade é que muitas vezes perdemos algo que nos dê impulso simplesmente por estarmos cegos e anestesiados pela rotina. Acredito que a rotina seja uma grande oportunidade de inspiração diária. Um café da manhã mais demorado. Um música diferente das que costumamos ouvir. Uma fresta de sol entre as árvores. Um dia cinza. Uma chuva inesperada. Pode parecer romântico da minha parte, e talvez seja, mas não é essa a questão. A questão é que existe muito que pode nos impulsionar a ter um dia que não seja "só mais um dia", mas quase nunca temos o tempo ou a energia para parar e prestar atenção. 

Tenho tido isso com conversas com pessoas interessantes. Troca de idéias e planos para o futuro. Um pouco menos de papo furado e um pouco mais de conversas significativas. Sair um pouco do trivial. Fazer e falar coisas que sempre achamos que fosse fora da nossa alçada. E quando paramos para ver, estamos vivendo coisas, traçando metas, realizando sonhos, trabalhando com mais vontade, estudando sem tanto sacrifício. Tudo porque achamos a cada dia, algo novo para nos impulsionar. 

 Um filme, um livro, nem sempre só a realidade pode nos inspirar. É sempre necessário saber quando ficar e quando sair da realidade. Não tenho crenças religiosas, mas acredito no que o psicológico tenha poderes imensuráveis sobre o nosso corpo. Saber quando sair da realidade, e mais, quando voltar para ela, ter esse controle sobre nossas mente, faz com que tenhamos inspiração constante para nos mantermos em movimento. Não, não é minha intenção escrever um post de auto-ajuda. E nem estou tentando ser uma escritora motivacional. Não quero lhe dizer como viver melhor. Nem tampouco estou dizendo que é fácil assim achar inspiração. Mas, para mim, viver sem inspiração me deixa anestesiada. E eu gosto de sentir coisas. E então? O que lhe inspira? Tudo, qualquer coisa, alguma coisa, nada? 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sozinha na Paulista.

E então, fui a São Paulo. Desde a rodoviária, o que eu mais queria aconteceu: não faltou inspiração para escrever. Não escrevi muito, mas sim, um esboço que me servirá para escrever algo maior e melhor (não que uma coisa tenha a ver com a outra). Antes mesmo de pegar o ônibus, já estava escrevendo.  O fato é que às vezes eu preciso sair um pouco do meu normal, para conseguir enxergar para fora de mim. Sei lidar muito bem com o meu dia-a-dia, com as pessoas que fazem parte da minha vida, com todas as situações que possam acontecer comigo aqui. Mas estar em outro lugar, com pessoas que você não conhece bem, com lugares aos quais você não pertence, te desafia a sair do seu normal, a enxergar além de si, a projetar-se para uma nova realidade e consequentemente um novo ponto de vista.

Mas não, nada de extraordinário aconteceu. A mudança interior foi simbólica. Eu não precisei fazer nada que eu não faço aqui normalmente. Não fiz nenhuma loucura, e não utilizei o conceito de "viver a vida ao máximo" que as pessoas insistem em pregar. Meu conceito de viver ao máximo é um pouco diferente da maioria rebelde. Não foi uma grande mudança de rotina. Foram apenas três dias. Mas isso fez toda a diferença. Porque, como eu sabia que no final tudo voltaria a ser como antes, eu pude aproveitar os dias sem me preocupar em estar vivenciando uma grande mudança, que poderia dar certo ou não. Não foi isso, não fui em busca de uma grande mudança. Eu adoro o jeito que tudo está. Não queria uma mudança significativa. Pelo menos não por enquanto. Eu queria uma mudança interna, em doses pequenas e homeopáticas. 

Essa viagem foi necessária, mas não porque era uma novidade. Já viajei sozinha, para lugares muito mais distantes e diferentes. A diferença, é que da última vez, viajei visando a permanência naquele lugar. E é muito difícil abandonar o seu lar, suas pessoas, seu emprego, e mudar tudo de uma hora para a outra, quando na verdade, tudo sempre esteve ótimo. Dessa vez não foi necessário abandonar nada, e por isso, consegui enxergar tudo com mais clareza. Quando estamos sob grande pressão, como no caso de se mudar permanentemente para outro lugar, não somos nós mesmos por algum tempo. Estamos lidando com muito estresse e pressão. Dessa vez foi tudo calmo, foi só um tempo curto distante de tudo. Sem nem celular funcionando, nem contato pela internet. Foram dias de distração. 

Conversar com outras pessoas, ver um estilo de vida completamente diferente do nosso, e sair daquele estágio em que eu tinha tudo sob controle, foi realmente importante. Muitas vezes nós achamos que só existe a opção de viver como sempre vivemos. E na verdade, o mundo está cheio de possibilidades. Quando dei por mim, estava sozinha na Paulista, como se eu pertencesse àquele lugar. Todos já tinham ido embora e eu precisava ir também. Nada deu errado. Continuei, sabendo que eu não precisaria de alguém me guiando naquele momento. Eu poderia muito bem fazer as coisas sozinhas. Como sempre fui auto-suficiente (em certos âmbitos da vida; porque para certas coisas, sempre precisaremos de alguém).

Eu gosto muito de ser auto-suficiente. Mas apesar desses três dias terem sido bons para eu relembrar que realmente sou independente, eles serviram ainda mais para me lembrarem que mesmo que nós possamos viver sozinhos, nós sempre escolhemos a companhia de quem gostamos. E por que não escolheríamos? E por isso, em São Paulo encontrei dois amigos, ao invés de ficar sozinha por completo. E por isso também, adorei chegar em casa e ver minha família e meus amigos. Eu sempre confundi independência com afastamento. Eu não preciso e não quero ter as pessoas que eu gosto longe de mim. Acho justo que algumas pessoas realmente gostem de isolamento. Mas por enquanto, não cheguei lá. Essa viagem foi ótima por eu ter visto isso. Eu consegui ir e me virar, e me divertir, e sair da mesmice. Mas estava ansiosa para voltar para a minha mesmice. Porque ela era minha. Minha rotina, minha casa, minha família e meus amigos. O grande barato, é que ao invés de uma coisa anular a outra, eu simplesmente somei. Agora tenho mais amigos em São Paulo, e continuo mantendo os meus aqui. Não preciso ficar sozinha, apesar de adorar. Apesar de adorar, gosto porque sei que mais cedo ou mais tarde, eu estarei de volta com as pessoas que gosto.

Em suma, foi uma viagem muito boa e necessária. Vi muitas coisas sobre as quais eu quero escrever. Meu objetivo foi alcançado. Passei pelo desafio "ir sozinha a São Paulo". Conheci pessoas novas e interessantes. Me diverti como há algum tempo precisava me divertir. E no fim das contas, voltei para onde eu sempre quero voltar. Percebi que não preciso ter ou um ou outro. Posso ter os dois. Posso ter desafios e mesmice ao mesmo tempo. Não preciso de uma grande mudança para me sentir em movimento. Pelo menos por enquanto, preciso de doses diárias de mudança interna, para me mantes constante. E inconstante.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

(0XX11)

Estou indo para me inspirar. Não que o Rio não me inspire. Mas sair um pouco, e só por um pouco, do mesmo em que tudo se encontra, pode me trazer boas inspirações. E não que eu não goste da minha mesmice. Adoro ter uma rotina. Gosto de ver sempre as mesmas pessoas. E fazer as mesmas coisas. E gosto mesmo de não ter novidades. Gosto de tudo calmo do jeito que sempre foi. E aí, no meio de toda essa calmaria, sempre há espaço para uma coisa diferente. E essa coisa só é diferente, porque não faz parte da rotina. Quero dizer, gosto de ter uma vida calma e parada, para quando vier a ser agitada e diferente, realmente seja diferente. Então, essa minha válvula de escape será São Paulo por três dias. E é pouco, mas suficiente para eu sair da minha adorável mesmice.
 Encontrarei amigos, conhecerei pessoas. Sairei pelas ruas. Conhecerei cantos novos. Dormirei em hotel. Levarei meu Journal; um livro no qual eu escrevo coisas bem aleatórias do dia-a-dia, e que alguns chamam de "livro secreto". Não, não é um diário, apesar do nome. Nele eu escrevo coisas que não escrevo aqui, e que eu quero que só seja divulgado depois que eu morrer. Parece dramático, mas tem bons motivos. Um dos motivos por eu querer escrever, é para ter minha presença registrada e eternizada aqui. Nada mais efetivo do que lançar algo após já ter ido. Como se tivesse deixado um filho. Aliás, agora ele já não é mais tão secreto assim, já que divulguei a existência dele aqui no blog. Mas o conteúdo é secreto. Não. Não é erótico. É filosófico. Não divulgo aqui por muitos motivos. Mas eu não acho de forma alguma que o livro secreto não merece estar aqui, ou que o blog não merece ter o livro secreto. Acho que os dois projetos têm o mesmo nível de importância, em diferentes âmbitos. São projetos paralelos, e com intensões distintas. Mas enfim, levarei esse Journal (chamo assim porque é o que veio escrito em sua capa) para sair por lá escrevendo o que me vier em mente. E quando chegar em casa, vou tentar relembrar as coisas que mais me chamaram a atenção, os pontos marcantes da viagem, e escreverei um post aqui também. 
Estou colocando muitas expectativas. E escrever sobre a viagem antes dela acontecer pode até dar má-sorte. Mas não sei mais se acredito nisso. E mesmo que uma parte de mim acredite... não deixarei de escrever sobre nada com medo de algo acontecer. O lugar onde eu vou escrever pode ser diferente, mas não deixarei de registrar. Espero que tenha muito mais para falar na volta da viagem. E se estou colocando tantas expectativas nessa viagem, é porque essa é a primeira vez que viajo para escrever. E tudo que envolve escrever, para mim, merece todas as minhas expectativas. Sem contar que estarei na presença de pessoas maravilhosas. Hasta la vista!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

I`d like to know you instead.

I like you
I like you but I don`t even know you
I like not knowing you
But I`d like to know you instead


I hope you like me when you know me
I hope you don`t wish you hadn`t met me
I hope your eyes like what they see
I hope mine see the invisble part of thee


When I come home, I wish you miss me
When I come home, I wish my life you wanna meet
When I come home, I wish you say "see you soon"
When I come home, I wish you remember me when you look at the moon.


Because I like you
I like you even though I don`t even know you
I like not knowing you
But I`d like to know you instead.

domingo, 22 de julho de 2012

Só morno.

Sem inspiração
Um daqueles dias mornos
Nem frio, nem quente.
Só morno.

Tudo dentro da cabeça
Nada que valha a pena falar
Nem frio, nem quente.
Só morno.

domingo, 15 de julho de 2012

I like to walk on cold empty streets

I like to walk on cold empty streets
One cold lonely heart
Late at night
The company of no lights shining bright

No eyes upon me, I could cry
I can even either look around
Or close my dim eyes
No single one will see I am crazy

I like to walk on cold lonely streets
The silence is bliss
The cats are at lurk
I can hear the sound of the cracking leaves

No hands holding me
I can even either sing
Or dance to warm my cold body
No shrink will analyse me

I like to walk on cold empty lonely dark streets
When I am alone on my way home
Because when I get there
The warmth and company of my blanket is enough.

sábado, 7 de julho de 2012

They ain`t you.

There certainly are better people out there
People better than you.
There certainly are smarter people out there.
People smarter than you.

I am sure there is someone more beautiful
Someone more beautiful than you.
I am sure there is someone more sensitive
Someone more sensitive than you.

I am positive there is a person with a hotter body.
A hotter body than yours.
I am positive there is a person with a brighter smile.
A brighter smile than yours.

There is no doubt I could find somebody more intense.
More intense than you are.
There is no doubt I could find somebody more pleasant.
More pleasant than you are.

There certainly are better people out there
People better than you.
There certainly are less wrecked people out there.
But darling, you see... They ain`t you.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Minha primeira entrevista =)

Aqui está, minha primeira entrevista =D

http://soundcloud.com/regina-celi-silva-aveiro/no-tempo-do-radio-a-lenha

Pseudo-escritora.

Estava com um certo bloqueio. Não conseguia pensar em temas para escrever aqui. Tem horas que simplesmente nada parece ser tão importante assim para se escrever sobre. Pedi ajuda à algumas pessoas. Me deram a ideia de escrever sobre humor, e sobre morte. Ta aí! Dois temas que raramente se encaixam num mesmo texto. Enfim. Escreverei sobre os dois. Humor porque nunca escrevi sobre. E morte, porque nunca é demais falar sobre. Já escrevi alguns posts com esse tema, e por isso vim passear pelo blog e ver o que eu já tinha escrito sobre, para não me repetir demais. Aproveitei para ver os comentários que eu ainda não tinha lido. 

Num dos comentários, um digníssimo leitor mencionou uma coisa que me fez pensar. E que até me agoniou um pouco. Parafraseando, ele disse que algumas pessoas podem me considerar uma ótima escritora, ao passo que outras podem me considerar uma pseudo-escritora que poderia estar fazendo qualquer outra coisa normal. E então uma grande explosão de pensamentos e sentimentos invadiu minha cabeça que até então estava tão vazia. Doces 30 minutos de cabeça vazia.

Uma das frases que mais me fez pensar, e viajar, e repensar, e sonhar e resonhar esses dias, foi uma frase de Robert Frost em "The Road Not Taken". Ela me causa esse impacto pois é como me sinto ao pensar no caminho que estou percorrendo agora que me dedico a essa coisa de escrever. Pessoas com um mínimo de sensibilidade conseguirão relacionar o verso do poema com o tema do post. A frase é a seguinte: 




"
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference."


"Duas estradas divergiam em um bosque, e eu - 
Eu peguei a estrada menos percorrida,
E isso fez toda a diferença." 



Eu fico muito lisonjeada pelos que me consideram de fato uma escritora. Boa ou ruim. Não me importa. Aos que me consideram uma pseudo-escritora, sinto muito que pensem assim. Comecei a me considerar uma escritora quando comecei a ter leitores. Quando os meus textos começaram a fazer as pessoas pensarem. Existe texto bom e ruim. Tenho certeza que já escrevi dos dois tipos. Existe escritor bom ou ruim. Não me importo muito em ser qualquer um deles, contanto que eu seja algum deles. Mas não ser, não é mais uma opção para mim. E quando penso que algumas pessoas podem me confundir com alguém que escreve e diz o que pensa para "aparecer", sinto muito pela pessoa que não compartilha comigo um momento tão raro para pessoas que vivem na nossa época: aquele momento em que você realmente para e, de fato, pensa.

Não quero simplesmente ser chamada de escritora. Não quero simplesmente ganhar dinheiro um dia com isso. Não me importo se algumas pessoas não entendem o que eu escrevo. Muito menos me importo que não gostem, apesar de me sentir muito feliz quando gostam. Escrever para mim é muito mais do que isso. Provavelmente, pseudo-leitores jamais vão compreender isso. Não quero formar leitores e nem muito menos escritores. Gostaria apenas, que por meio de meus textos, as pessoas que leem tornem-se pensadores.

Para quem entra aqui, lê, e talvez até comenta, não me importa se concorda ou não com o que eu escrevo. Como o blog mesmo sugere, tudo é relativo. Nada do que eu escrevo é absoluto e deve ser engolido. Pelo contrário, é para ser discutido. Então, para os que leem, e devotam seus cérebros para alguns momentos de reflexão, agradeço muito e espero que eu esteja ajudando nesse exercício. Sei que vocês ajudam muito comentando, e até mesmo apenas visitando. Aos que talvez me considerarem pseudo-escritora, sugiro que então que parem de ler meu blog, e leiam um escritor de verdade. Comece por Frost. 


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Papo amoral



"A arte não é moral nem imoral, mas amoral" - Oscar Wilde.

A moral vem para desinstinficar o homem
Acabar com todo nosso instinto amoral 
O instinto que não reconhece certo ou errado
Conhece e reconhece víscera, somente.

Visceral somos até que deixamos de ser 
Deixamos de ser total e, então,
Parte do todo nos tornamos 
Do todo estraçalhado; o todo soberano.

Dizem-nos o que faz bem ou não, e
Esse é o preço que se paga
Fazer o bem sem olhar a quem
Viver de regras que só beneficiam a alguns alguéns. 

Ser amoral é melhor que ser moral-imoral
Regras morais-imorais nunca são por acaso
Alguém sai sempre ganhando
Mas esse alguém nunca somos nós, reles mortais.

Alguém me disse quem eu deveria ser
Recusei, e preferi ser ninguém 
Ninguéns já somos principalmente tentando não ser
Ninguéns acéfalos.

Zumbis contemporâneos que
Comem o nosso intelecto
O bem sempre acima do mal 
Reze, se quiser ir para o céu

Ou tire a roupa
Tire as máscaras
Faça sexo com a vida
E prenda-me se for capaz.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

When I die.

There is no "if". I know someday I`ll be gone. Long gone. How will people feel? How long will it take for people to forget me? Forget all about me? How many people will be sad? How many people will not care? How many people will actually care? How long will it take for my existance to make no difference anymore? Does it make a difference now? When I`m gone, will you regret not being in touch with me? When I`m gone, will you miss me, or will you be relieved, or will you even notice? When I die, how many tears will be dropt on top of my coffin? How many won`t'?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Barulho intelectual.

Corredores cheios de entusiasmo
Salas cheias de esperança
Cabeças cheias de vazio
Expressões cheias de pompa

Conversas intelectuais e
politicamente corretas
Muitas opiniões
Ideias que vão mudar o mundo

Todo mundo tem algo a dizer
Algo enriquecedor
Uma fonte de riqueza
Infinita e mutável, transcendental 

Todo esse barulho pós-moderno
Essa inquietação paradoxalmente niilista
Salas feitas de vidro
E a intransparência da mente humana.

Gosto do banheiro de lá.
O silêncio quieto e justo
Isolado daquele mundo
Rebelde e adolescente

O lugar calado onde
minha mente em paz descansa.
Gosto do silêncio e 
preciso do silêncio.

As conversas lá fora
e as discussões aqui dentro
Fazem com que eu me retire
Me coloque fora de órbita

O lugar calado onde
A minha mente pode falar
Gosto do banheiro de lá
O silêncio quieto e justo.

domingo, 17 de junho de 2012

Não lerás no meu fim.

E se eu soubesse a data de minha morte, escreveria para todos os mais chegados. Agradeceria e diria o que nunca tive a oportunidade de dizer. Escreveria também aos que julgo e não gosto. Diria tudo que o decoro não me permite dizer. Escreveria aos meus professores, e os agradeceria por todo conhecimento compartilhado. Escreveria para muitos, mas não escreveria jamais para ti. Não porque eu não me importo. Não porque eu me importo menos. Pelo contrário. Não escreveria porque é com você que me importo mais. Não conseguiria dizer. Eu não saberia começar a explicar a importância da tua vida para a minha. Não seriam justas as palavras que eu usaria. Porque palavra nenhuma carrega o peso do significado que a tua vida tem para a minha. E ofenderiam o tudo que habita em mim, em relação a ti. E não que eu não entenda o que eu sinto. Mas nunca conseguiria externar um sentimento que nasceu e que morrerá dentro de mim.