domingo, 7 de agosto de 2011

O fim do infinito - Por Fabio Key

Um caminhar por todo o errado
claro, reluzente, esclarecedor
surge, dentre as montanhas, o nada
uma gentileza mal-vinda
como rosas sem pétalas
que cortam sua pele, e nada lhe deixam
a não ser fragmentos de espinhos
estes para sempre deixarão sua marca
como uma cicatriz, que dói no começo,
que se estabiliza, mas que sempre deixará sua marca
como uma lembrança mal lembrada.

Quando a noite não serve para nada
ódio e raiva são meu sangue
corre pelas minhas artérias, direto ao coração
minha mente encancerada
alimenta e é a energia do meu corpo
da minha cabeça aos meus pés
o que me disseste, céu?
naquela noite sem escuridão,
naquela fonte de exatidão,
onde tu descansas por exaustão.

Energia que me resta,
que me comove
e me destrói
como papel molhado,
corta-me ao meio
e joga-me ao chão
querendo que eu sobreviva
para que tudo aconteça,
uma dor indolor,
o visível mais invisível,
um recorte da ilusão.

A morte não é um caminho,
nem uma opção
é o fugir dos covardes,
a atração dos curiosos
não me curvo, pois, a esse caminho
resisto, por mais que sombrio,
limpo minha mente
e, de novo, acredito.

Sou o nada, o ninguém
sou o quase, o talvez
sou a verdade e o oculto
sou o que lhe resta, o que lhe ajuda
sou, acima de tudo,
aquilo que procura
e que, mesmo assim,
nunca vais achar.

A chuva não me molha,
o sol não me queima,
a luz não me dá coragem,
a escuridão não me amedronta,
um simples olhar não me define,
o complexo não me atrai,
a verdade me deprime,
a mentira a mim opõe-se,
não há sombra,
porque em mim não há luz
não verás meu rosto,
porque meu caminho não reluz.

Cordas de esperança são cortadas
a cada minuto que se passa
mentiras são contadas
a cada segundo que morre
a cada feixe de tempo que atrai
o céu escurece
e o amanhã o trai,
nada ocorre.

O passado representa a morte,
o presente representa a vida,
o futuro representa a verdade e a mentira,
a mentira e a verdade
e, todos, numa peça teatral
juntos, promovem o grande espetáculo
espetáculo da dúvida,
onde não há lugar,
onde não há o vulgar
há apenas o sentido
e um único caminho
que você não sabe onde dará
ou de que modo encarar.

Há em algum lugar
esperança para se procurar?
há, ainda,
verdade para se encontrar?
ou melhor,
um dia para alegrar?
Há o nada no tudo
mas não há o tudo no nada

Busco, ou não, a razão
o porque do perdão
busco o sentido de amar
ou a verdade de odiar
busco o sim e o não,
ou apenas aquilo que é a paixão
busco a procura,
a criação
busco o nada,
busco o tudo
procuro buscar algo profundo,
ou o fim da exatidão
para, no fim de tudo,
descobrir que não há o que buscar
e sim um simples luar,
um sorriso com medo de se mostrar,
o amor com medo de amar,
o calor com medo de esfriar,
dois corações com medo de parar,
vozes com medo de se calar,
e uma verdade com medo de voar.

Fabio Key

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