quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pudesse eu - Por Fábio Key

Por alguns minutos,
adentro, em meu próprio leito
não mais pensando,
nem ponderando;
mas sentindo.
O que geralmente me falta
ou simplesmente tento ignorar,
forçar, bloquear meus lamentos.
E cego, me ponho a ver
não mais a mim, nem a ti
vejo o que há de verdadeiro,
sincero, o que sinto fala tão alto...
e ecoa entre meus pecados
e meus bons atos,
além de meus esforços
e meus atrasos.

Pudesse eu logo dizer a ti
o que sinto e já senti
sem precisar pensar em tudo
nem ter que com as consequências arcar
só lhe amar
e aceitar,
de certo modo,
o que há de ser.

E, de alguma forma,
era o que havia de positivo
em alguém tão negativo
e me ponho a prantos
quando imagino que tudo pode se quebrar,
em pedaços, estilhaçar sem atraso
e todo meu esforço
resultar em apenas um esboço
do que deveria ser...

"Deveria" é... ridículo.
Quem sou para dizer o que se deve ser
ainda mais à você
a quem devo tanto
e sei que esse valor jamais poderei pagar
acima dos erros que cometo
e dos acertos ocasionais,
mas nada acima de ti
ou de que representas a mim
e, por mais que não aceites,
saiba que não há como evitar
e sei que,
de certa forma,
com esse sentimento por ti vou até o fim
dos meus pensamentos
do que chamo de vida
acima do que tenho de fé,
e do que digo acreditar.

Temo tanto lhe dizer
e há um tempo de temor,
contrai-me e dispersa,
faz-me querer sentir o calor
e me põe a imaginar
e só a sonhar
e de ti lembrar
até a noite cair,
e com ela o sono vir –
se não vier
levo-te comigo pela noite –
sempre quando fecho os olhos
e finjo escutar a voz
de quem me traz paz
e a novíssima verdade
da essência do que realmente deixei de ser.

As horas tanto passam,
e nada para,
finjo ignorar-te,
e pretendo ser o que pouco sou,
mas,
quando só,
não preciso me esconder de ninguém
e fujo para o meu próprio bem,
onde encontro paz
quando encontrar a ti era o que queria realmente encontrar
e uma lágrima se quer jamais derrubar
e talvez ser o que sou.

Talvez se os ventos
mais devagar pudessem passar
e assim pudesse eu parar para pensar
no que vier
e não me preocupar
com o que circula pelo meu próprio poder.

Pudesse eu logo lhe dizer,
sem relutar,
comigo mesmo brigar,
alguma essência, achar
e um caminho, tomar...

Pudesse eu...
seria tão mais fácil,
sim, como seria,
mas nada foi fácil até agora
como poderia você ser?
era esperar de menos,
mas me choca o pensamento errado
então prefiro não pensar,
pelo menos não nisso,
mas pensar em ti me faz bem,
incondicionalmente,
você é o que me traz paz.
Mas às vezes o que preciso
não é bem paz.

Pudesse eu lhe trazer para perto
e um abraço infinito lhe dar,
fazer o tempo não passar –
ao menos para nós –
e tornarmo-nos muito maiores do que o mar,
e nada mais.

Pudesse eu
em apenas em uma única coisa pensar
desde já,
seria naquilo que me faz tranquilo
e faz meus sentimentos fluírem,
faz meus olhos,
sempre tão sólidos,
brilharem,
seria em ti,
paz da minha vida.

Fabio Key.

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