sábado, 30 de julho de 2011

Dança comigo?

Você fica 30 minutos olhando para a caixa de texto e não consegue escrever. Quando isso acontece comigo é quando mais tenho coisas na minha cabeça. Elas entram em conflito e eu não consigo que elas saiam e façam sentido para o resto das pessoas. Alias, acho que nem quando eu consigo colocá-las em ordem elas fazem sentido para as pessoas. Bom, mas de qualquer forma você tenta. Tenta externar os seus pensamentos, e vê no que vai dar. O fato é que você gostaria de explicar algumas coisas, mas nem você sabe bem o sentido delas. Sou uma pessoa muito inconstante, e muito extremista também. Quando quero uma coisa eu quero muito e faço de tudo para conseguir; não durmo direito até conseguir. Até que uma hora eu vejo que aquilo não é mais certo para mim, e eu esqueço de uma forma que parece que aquilo nunca fez parte da minha vida. Não sei ser meio-termo, e acho que isso me faz perder as coisas boas do "por entre" as estórias. Isso me torna um pouco prática e obcecada ao mesmo tempo. Nem todo mundo sabe lidar com as coisas de uma forma suave. Eu não sei lidar com as coisas de forma suave. Ou eu dou muita importância, ou não dou importância nenhuma. Isso não seria nenhum problema se eu soubesse jugar o que merece a minha atenção e o que não merece. Na maioria das vezes eu erro nesse julgamento. Assim, me arrependo de forma insistente, e tento mudar coisas que simplesmente não podem mais ser mudadas. Alias, fico em dúvida se corro atrás do prejuízo porque realmente me arrependi, ou por orgulho. Mas é claro, que eu só consigo achar essa reposta um tempo depois. É simplesmente um círculo vicioso. Gosto de experiências que me fazem aprender. Essas das quais eu me refiro hoje, me fazem dar voltas e voltas no mesmo lugar. E não sei se um dia eu aprendo, porque cada situação por mais parecida que seja, é única e relativa. Mas acredito que isso seja normal. Não posso ganhar em tudo, muito menos perder em tudo. Bom, o único fato é que a vida tem que seguir em frente. As coisas devem continuar caminhando para frente, sempre para frente. Não importa o que aconteça, não importa quantas despedidas, nem quantas perdas, o que mais te importa é a vontade de continuar dançando.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Reflita a morte, antes da vida.

Tem dias que você não consegue pensar direito. As coisas ficam embaralhadas na sua cabeça, e você fica imaginando se o problema está em você. Não, aqui não é um blog de auto-ajuda. Aqui é um blog de críticas, então não vou especular soluções, mas sim, vou promover o pensamento crítico sobre as coisas. Nesses dias que você não consegue focar-se, ou que você simplesmente está com toda a sua cabeça revirada, o que é mais importante: se o problema está em você ou com as outras pessoas; ou o que você vai extrair dessa problema; ou melhor, isso é mesmo um problema? Qual é o seu conceito de problema? Ele tem níveis? Ele é matemático? Ele tem solução? Problema só existe quando existe solução? Solução existe sempre? Temos que lidar com todas essas perguntas durante a nossa vida. Saber lidar com elas é mais difícil do que lidar com os problemas. Porque não existe resposta certa. O ser humano não é uma prova de múltipla escolha. Tudo é relativo. Todas as situações têm vários lados. Por que você acha que na maioria das vezes as pessoas sempre acabam rindo de problemas passados? Será que rimos porque já superamos? Só rimos dos passados superados? Você ri porque ganhou algo com ele? Ou você nunca ri de seus problemas? Depende do problema? Ou depende de você? Um exemplo leigo meu: uma pessoa com câncer, um problema de saúde complicado de se combater, quando se cura ri do que passou ou chora por ter passado? Ou ainda mais a fundo, essa pessoa não se cura, mas ela passa o resto dos dias chorando o problema ou rindo por causa do problema? Ou seja, você passa seus últimos dias sofrendo pelo câncer ou sendo feliz por ainda estar vivo? São perguntas genuínas. Não sei a resposta de nenhuma delas. Apenas aqueles que já estiveram nessa situação. E mesmo assim, cada um daria uma resposta. Porque, queridos, tudo é relativo. Sempre quando queremos dar o exemplo de algo muito terrível falamos em câncer. Por que? Porque você sofre muito, e com probabilidade de estar sofrendo muito nos últimos momentos de vida. Então é terrível por que você vai morrer ou por que você está sofrendo? A morte para algumas culturas é uma redenção, a pessoa é agraciada com a morte. Então até isso é discutível. O sofrimento, bom, não vou ousar dizer que o sofrimento é discutível, pois nunca passei por algo parecido, mas posso perguntar: o que é mais válido? Sofrer e simplesmente sofrer pra depois morrer? Ou sofrer com esperança, boa vontade, heroísmo e força? Você quer morrer e ouvi dizerem que você sofreu muito, ou você quer ser lembrado por ter lutado, amado, sido feliz até o último momento, mesmo quando a vida não te facilitou isso? Boa reflexão para você. =)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

I love the sound of the leaves

I love the sound of the leaves
When they fall off the trees
And they go away with the breeze

I love the sound of the leaves
They make me stay in peace
They make me wanna seize

I love the sound of the leaves
Everything seems to be at ease
And I no longer grieve

I love the sound of the leaves
It's when my pain relieaves
And it just makes me believe

I love the sound of the leaves
They just make me believe
The wind will, too, take away my peeve

Big Party of Fools

And there I was. Staring at the faces. The music was too God damn loud. I could barely hear my own thoughts. The good thing is that I did not have to make small talk. People insisting in talking/screaming, fighting against that music, which seemed to come from hell. It was a joke from Devil. I could be there, just like a statue, forever. I did not fit. All those supid people, without brains, trying to fit into a paradigm. They were all very happy, and singing. Apparently I was the only weirdo. Just because I was not clappin hands to the fools. So I sat, and ate, and every single movement seemed to be everlasting. All those people I do not know, all my relatives who I am not alike. Those shallow people who just wanna be appearance, and they are not even that! But I am the strange one. I am the one to be called crazy and weird. Just because I would rather sit and write, and read, and cook, and cry, and die, everything not to be there, around those messy and loud people. Hollow people. Hollow lives. Sorrow inside. I do not belong here. I was not born to be part of that big party of fools. I want more.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pudesse eu - Por Fábio Key

Por alguns minutos,
adentro, em meu próprio leito
não mais pensando,
nem ponderando;
mas sentindo.
O que geralmente me falta
ou simplesmente tento ignorar,
forçar, bloquear meus lamentos.
E cego, me ponho a ver
não mais a mim, nem a ti
vejo o que há de verdadeiro,
sincero, o que sinto fala tão alto...
e ecoa entre meus pecados
e meus bons atos,
além de meus esforços
e meus atrasos.

Pudesse eu logo dizer a ti
o que sinto e já senti
sem precisar pensar em tudo
nem ter que com as consequências arcar
só lhe amar
e aceitar,
de certo modo,
o que há de ser.

E, de alguma forma,
era o que havia de positivo
em alguém tão negativo
e me ponho a prantos
quando imagino que tudo pode se quebrar,
em pedaços, estilhaçar sem atraso
e todo meu esforço
resultar em apenas um esboço
do que deveria ser...

"Deveria" é... ridículo.
Quem sou para dizer o que se deve ser
ainda mais à você
a quem devo tanto
e sei que esse valor jamais poderei pagar
acima dos erros que cometo
e dos acertos ocasionais,
mas nada acima de ti
ou de que representas a mim
e, por mais que não aceites,
saiba que não há como evitar
e sei que,
de certa forma,
com esse sentimento por ti vou até o fim
dos meus pensamentos
do que chamo de vida
acima do que tenho de fé,
e do que digo acreditar.

Temo tanto lhe dizer
e há um tempo de temor,
contrai-me e dispersa,
faz-me querer sentir o calor
e me põe a imaginar
e só a sonhar
e de ti lembrar
até a noite cair,
e com ela o sono vir –
se não vier
levo-te comigo pela noite –
sempre quando fecho os olhos
e finjo escutar a voz
de quem me traz paz
e a novíssima verdade
da essência do que realmente deixei de ser.

As horas tanto passam,
e nada para,
finjo ignorar-te,
e pretendo ser o que pouco sou,
mas,
quando só,
não preciso me esconder de ninguém
e fujo para o meu próprio bem,
onde encontro paz
quando encontrar a ti era o que queria realmente encontrar
e uma lágrima se quer jamais derrubar
e talvez ser o que sou.

Talvez se os ventos
mais devagar pudessem passar
e assim pudesse eu parar para pensar
no que vier
e não me preocupar
com o que circula pelo meu próprio poder.

Pudesse eu logo lhe dizer,
sem relutar,
comigo mesmo brigar,
alguma essência, achar
e um caminho, tomar...

Pudesse eu...
seria tão mais fácil,
sim, como seria,
mas nada foi fácil até agora
como poderia você ser?
era esperar de menos,
mas me choca o pensamento errado
então prefiro não pensar,
pelo menos não nisso,
mas pensar em ti me faz bem,
incondicionalmente,
você é o que me traz paz.
Mas às vezes o que preciso
não é bem paz.

Pudesse eu lhe trazer para perto
e um abraço infinito lhe dar,
fazer o tempo não passar –
ao menos para nós –
e tornarmo-nos muito maiores do que o mar,
e nada mais.

Pudesse eu
em apenas em uma única coisa pensar
desde já,
seria naquilo que me faz tranquilo
e faz meus sentimentos fluírem,
faz meus olhos,
sempre tão sólidos,
brilharem,
seria em ti,
paz da minha vida.

Fabio Key.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Prévia de Dona Helena

Capítulo I – Me chamo Helena.
Sou mulher. Minha idade já não me importa. Ela não me importa porque definitivamente, se ela me importar, morrerei. Ela não me importa no sentido estético, eu não me incomodo com minhas rugas. Minhas rugas são apenas disfarces para que me achem uma velha, apenas. As pessoas só enxergam o meu exterior, e isso me agrada. As pessoas que de fato só enxergam as minhas rugas, são aquelas que eu jamais quero que vejam o que há dentro de mim. Mas sim, a idade me vale de alguma forma. Tudo que sou hoje dedico aos meus bons anos vividos. Porque eu de fato os vivi. Minha vida não acabou por eu já ter comemorado muitos aniversários, minha vida começou. Não sou jovem e inconsequente. E isso me faz superior. Minhas experiências são dignas de inveja. Minha sabedoria conquistei com o tempo. Sou a senhora do tempo. Sei de cada coisa em mim. Me conheço melhor do que ninguém. Hoje sei manipular cada emoção minha e faço delas as minhas armas; armas essas que me protegem do mundo em quem ainda vivo.
Me chamo Helena. Sou uma mulher de 70 anos que nasceu na década de que não se lembra. Nasci naquela Era esquecida, quando ninguém se importava com identidade. Fui adulta quando criança, e depois o contrário. Aprendi tudo e depois descobri que as verdades não serviam para nada. Vivi das emoções; sempre no linear entre apaixonada e louca. Apaixonada pela vida eu era, andando numa corda bamba, sempre querendo cair para o lado de lá. Caminhei por diferentes caminhos e países. Fiz de tolas muitas das pessoas que passaram por mim. Me fiz de tola para muitas das pessoas que passaram por mim. Fui de várias personalidades e nunca encontrei a minha, pois não me encaixo em nenhum paradigma. Espantei pessoas exóticas, enganei pessoas boas, mas nunca me juntei à pessoas ruins; eu as observava de longe. Fiz muitos amigos e perdi alguns deles. Nunca passei sem ser notada ou sem deixar marcas. Fiz da vida um brinquedo nas minhas mãos pequenas. Sofri e me desgastei por tudo, eu só não aguentava não sentir nada. Gastei meus 70 anos como se fossem o dobro, o triplo talvez, e não foi nem a metade do que gostaria. Descobri a melhor maneira de não errar, não tentando. A partir de então, comecei a errar feito louca. Depois de muito andar comecei a sentir minhas pernas doerem, corri. As pernas então adormeceram, e eu espetei agulhas nas duas para nunca mais deixar de senti-las. Foram essas mesmas pernas que me fizeram chegar a lugar nenhum, não podia abandoná-las. Senti que depois de muito aprender, eu não tinha nada o que ensinar, aprendizados são individuais. Sou conhecida como Dona Helena, aquela doida do primeiro andar. Meus gatos tentam, mas não conseguem convencer a ninguém que sou uma velha normal. Normal e com o pé na cova, como todas as outras. Cismam em dizer que estou desvairada, mas estou mais lúcida do que Sophia; ela quem está cega com as cenas tortuosas da juventude. E eu, com os olhos muito certeiros, consigo enxergar que a vida me foi uma brincadeira, dela fiz o que bem entendi, e ela fez de mim o que não esperava fazer.

Durante toda a minha vida escolhi o que me pareceu errado, só para poder dizer que era uma pessoa contraditória. Fazia questão de errar várias vezes o mesmo erro, até que então ele se tornasse um acerto. Quando digo “ele” quero dizer o erro, homens nunca foram tão importantes no meu contexto, não é “dele” que estou falando. Eles simplesmente passavam, e então tinham alguma experiência traumática para contar para os amigos. Apenas um homem prosperou na minha estória. Mauro perseverou em ser louco, foi morar comigo há 50 anos e sustentou essa loucura desde então. Acho que ele quer provar para o mundo até hoje o quão forte um homem pode ser. Meu esposo sempre foi muito cheio de vida, sempre acreditou na construção de uma família, mas a vida lhe passou a perna e o fez se apaixonar logo por mim; e por ser realmente muito azarado, me apaixonei por ele também. Sei que sempre digo que homens nunca foram parte de um contexto importante, mas ele não é simplesmente um homem. Nunca acreditei na instituição do casamento, e por isso nunca assinamos nada, mas nem por isso deixamos de celebrar nosso amor todos os dias. Nunca tivemos filhos. Sempre tive horror à crianças e talvez a Natureza tenha sentido isso e me tirou essa possibilidade. Mauro como veio nessa vida para pagar seus pecados da vida anterior, me amou tanto que enterrou a ideia tradiciomal de família. Eu sou a sua família. E o pior, é que essa família, ele mesmo quem escolheu.

Mauro e eu nos apaixonamos muito cedo. Fui sua namoradinha no colegial, e hoje em dia sou sua namoradinha de final de vida. Acho que ele sempre foi tão o meu oposto, que em mim encontrou tudo aquilo que o completaria. Meu Amor não ficou comigo porque acreditava em nós dois, mas porque não acreditava nele mesmo sem mim. E então, aceitamos o que e quem somos juntos ano após ano. Nos completamos realmente, nos amamos realmente, e o que passou ao longo de nossas vidas foi uma estória de amor como qualquer outra que resiste às futilidades do nosso dia-a-dia. Demos certo quando não tínhamos mais saída. E foi ótimo.

Antes da pessoa que ficou do meu lado para sempre, existiram outros. Outros os quais me lembro o nome, mas não me recordo do sentimento. Cada um deles sei que foi intenso de uma forma particular, mas já não os considero. Sempre os tentava avisar do que estava por vir, mas de nada adiantava. Quem estivesse ao meu lado, faria de tudo para continuar, e não importava o quanto eu me esforçasse para convencer do contrário.
Passos de magia deslumbram o caminho.

Será longo e frutífero?
Ou será curto e sombrio?
No canto de cada ser
Não sou a que os engana
Enganam a si mesmos
Aqueles que não me escutam dizer
Que incerto e estimulante
são passos de magia que seguem adiante;
E que serei passagem e memória
ou talvez não farei parte de nenhuma estória.
Tolos aqueles que se deixam levar
Passos de magia que somem ao meu caminhar.
Caminharei para longe em todo final
E caminharei para perto de um novo inicio
Que por sua vez me fara andar para mais longe.
Espere então de mim nada mais que o fim
Ao longo de toda sua caminhada,
a sua vontade de descanso se torna encorajada.
Passos de magia não são o suficiente
Desde que o mundo se chama mundo
A angústia final nunca foi contente.
Realidade não faz mal à ninguém
Passos de magia posso contar no dedo à quem.
Desista de ilusões e alusões,
Coloque suas pedras para que eu tropece
E que junto com o meu caminhar
Também encurte o seu pesar.
De bons conselhos que já dei,
O melhor de todos a você vou dar
Escuta a quem vos fala,
De nada vale me amar.

Para mim, foram apenas uma forma sacana de passar o meu tempo, trabalhando o meu ego o tempo todo. Sempre fui egocêntrica, mas nunca com o Mauro. Meu Amor sempre me fez ser tudo aquilo que eu fazia os outros serem comigo: dedicada, ciumenta, possessiva, amorosa, relativa. Brinquei com esses outros, os tive na palma de minha mão, e eu era tudo aquilo que nunca conseguia ser com Meu Amor: irônica, maliciosa, manipuladora. Mauro então sempre me ganhou por ser o que se destacava dentro de mim, aquele que não me deixava ser o que normalmente eu era. Mauro-Amor, como o chamava, despertava em mim uma personalidade que eu não conseguia controlar. Deveria estar falando sobre os outros agora, mas só dele há o que falar. Mauro sempre teve alma de artista, sempre foi criativo e encantador. Político, sempre teve muitos amigos. Ele me ensinou como viver em sociedade, mentindo e sorrindo mentiras muitas vezes para poupar desgastes. Ele me ensinou a ter equilíbrio certas horas, me ensinou a ser um pouco mais racional, tudo aquilo que me irritava muito nele. Mas ele sempre teve um ótimo coração, e assim como eu, ele também era movido pelo nosso amor. Acredito que estamos juntos por não termos conhecido ninguém mais interessante, ou por ninguém ter conseguido ser interessante para nós, uma vez que nos conhecemos.

Vim de uma família muito tradicional, daquelas que vivem de mentiras e que ninguém é bem sucedido. Todos com suas vidas planejadas e medíocres, daquelas que nunca tive vontade de viver. Meu único modelo familiar foi minha mãe, e não por ter me criado, mas por ter conseguido sobreviver mesmo com todas as maldades da vida em que viveu. Mas com certeza eu faria tudo diferente se estivesse no lugar dela. Mas é claro, nunca estaria no lugar dela, pois só ela mesma conseguiria sobreviver ao que viveu. Meu pai era daqueles que tinha duas caras. Mas ainda assim viveram felizes para sempre. Minha mãe era uma empresária, e meu pai um contador de estórias. Os dois se amaram até que a morte os separou. A morte se chamava Clara, uma moça que minha mãe encontrou. Não, ela não era amante do meu pai, era a amante de minha mãe. Depois de muitos anos mamãe encontrou a morte, digo, a Clara, e junto com a Clara, encontrou um recomeço; ou um refúgio. Só sei, claro, que depois disso, meu pai se recusou a passar por toda aquela humilhação e se matou. Não de fato, mas matou todo o seu passado e foi embora construir uma nova estória para contar. Ele foi morar na Itália. Era de lá que sua família vinha. Passei uns tempos por lá, mas não aguentei ficar longe de Mauro por muito tempo. Encontrei Mauros em potencial lá, mas nenhum deles conseguia com que eu deixasse de ser a Helena de sempre, coisa que Mauro sempre soube fazer muito bem e muito naturalmente. Aliás, visitei muitos lugares tentando esquecer do Meu Amor, assim como fez meu pai, mas ao contrário dele, eu não consegui. No final das contas, eu voltava sempre pros braços do Meu Amor.

Apesar do que pode parecer, não sou uma pessoa romântica nem mesmo com Mauro. Depois de tantos anos aprendi que amor não se concretiza apenas ao externá-lo. Amor é amor independente do que se faça com ele, ou do que se faça dele. Mantemos nossa ligação mesmo que sem falar nada, mesmo que sem dizer que nos amamos por tanto tempo. Nós já sabemos disso, nossa estória confirma, palavras são levadas com o vento, e não valem de nada, apenas quando queremos machucar alguém, aí sim palavras podem ter efeito, e também só quando esse alguém se deixa ser afetado pelas palavras ditas, apenas se aquela pessoa que emitiu aqueles sons, significa alguma coisa.

sábado, 16 de julho de 2011

Raízes - por Carla Carvalho

Como é difícil deixar para trás o que por um longo tempo fez parte de nossas vidas. Independente do que seja, o aperto no peito vem. E nenhuma razão é grande o suficiente para ser mais forte que o sentimento que carregamos dentro de nós. Lembranças, momentos, histórias... tudo aquilo que se plantou um dia. A novidade sempre nos atrai, e figura como uma boa desculpa para seguir. Desculpa porque nesse momento estamos lidando com emoções, e aquilo que é racional acaba por não fazer a menor diferença. Precisamos convencer o eu interno que o livro segue, só o capítulo que muda. Agarramo-nos firmemente à esperança, ao conforto de imaginar o que está por vir. E sempre há uma tarefa ou outra que nos perece ser útil para simplesmente não precisarmos refletir. Forçamo-nos a seguir. Até porque no fundo sabemos que depois passa. Nada na vida dura para sempre. Existem momentos eternos, e nada mais. Como sempre digo há de se viver o hoje. Ontem não retorna jamais. Amanhã, ainda está longe. Há de se viver o agora. Construir o agora. Para quem sabe depois, existam frutos a serem colhidos. Resultados a serem celebrados. E mesmo que ambos não apareçam, celebraremos a vida que nos dá todos os dias a chance de recomeçar. Arar novamente a terra. Jogar as sementes, aguar e esperar que brotem. Que venham vendavais. Porque se destruírem a tudo, estarão apenas dando-me a oportunidade de repensar meu arado.
E que sempre me recorde das raízes fortes que me trouxeram a este mundo. A força de meus pais. Hoje sou o que sou por seus erros e acertos. Sou caule. A cada dia minhas folhas crescem. Amanhã germinarão os meus frutos. Porque preciso um dia também retornar à terra. Tornar-me raiz. Prender ao chão os que de mim vierem. Para vê-los um dia gerar mais uma vez a beleza da vida. Contínua. E quem sabe infinita de alguma forma....

http://www.freeyourmind28.blogspot.com/

Done being pleasant

Middle of the night. Sparkling eyes are no longer seen. Only a gloomy soul. Sometimes you just wanna be alone. Your are your best company. And you also don't wanna anybody to read you, or see you, or listen to you. You are just fed up with people, and the same flaws, and the same qualities. Let go. Nothing will ever be the same. Especially because you've changed. That's good. But what is good anyway?! Who am I trying to deceive. I`m here, the last of the enthusiastics, trying hard not to show my real self. I just wanna be inside for two weeks. Inside my home, inside myself. Being all political towards people can really be overwhelming. I don`t even write what I want anymore. I write what people wanna read. Everytime I feel like this I just try to convince myself I`m just tired. And I really am. I`m tired of all that shallow stuff. You people should just shut up and listen to the noisy silence of the end of the world. It burns my ears. It`s a quarter to three. I`m waking up in 4 hours. I wish I would wake up in 4 years. Would anybody remember me? Would I want people to remember me? Sometimes I just wish they would forget about me. Yeah, I`m selfish. Well, that`s part of who I am. The wrecked me. And I don`t need help, I don`t want your help, what do you have to add to my life? The only help I wanna get is my own. I don`t feel I`m the only worthy person, but I`m the only one I wanna be with right now. Cause don`t understand myself, but I understand all of you, too predictable, too easy. I wish I could write till I had bled fingers. But up to now, I content myself with bled soul, bled wine, bled mind. This mild discomfort of mine, should never die, it makes me think, it makes me exist. I don`t care if you don`t know that, but I do exist. What I am, what life made me, it just don`t care. Nobody cares. You are as selfish as I am, sometimes. It all boils down to the fact that, you only care about yourself, and the care you give the rest, is the care which has left. I`m bitter and realistic tonight. What is reality anyway?! Are you sure you are awaken? Are you sure this isn`t both heaven and hell? Oh well. It`s time to go to bed. Because tomorrow I`ll have to wake up at I-do-not-want-to-wake-up o`clock and go to blow-my-fucking-head-off work. So, great day to come.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

E se? E quando?

Claro que todo mundo já pensou: "E se eu morrer?" Engraçado que as pessoas usam "se" ao invés de "quando", mas enfim, a questão é "E quando eu morrer?" Deus queira que nossa missão só acabe no centenário, mas a data não importa. Quando você morrer, qual filme você quer que passe pela sua cabeça? O que você quer ter cumprido? Quais arrependimentos você quer ter tido? Quais lembranças você gostaria de deixar? Bom, pense nessas questões e comece a escrever sua história agora. Ela já está sendo escrita desde sempre, mas o que passou você não pode mudar, o que ainda vai acontecer, bem, a maioria delas você decide. A vida não pode ser vivida como um rascunho. Ou até pode, o que que eu sei? Mas, o que parece é que não temos a oportunidade de passar a limpo. Então vamos lá, comecemos a analisar o que gostaríamos de ser, e o que de fato somos. Vale pensar nas suas vontades mais impossíveis. Mas se você começou pensando que gostaria de ser rico, lembre-se: você realmente gostaria de ser lembrado por ser rico? Não está errado se quiser, porém, há coisas mais importantes e significantes do que dinheiro. O trabalho que você produz para receber esse dinheiro por exemplo. Ou o que você faz com esse dinheiro. Essa coisa de bens materiais está injetado em nossa cultura capitalista. Mas o que está injetado na sua alma desde que você se entende por gente? O que você mais gosta em você? Por que você gosta de ser assim? Quais pessoas você morreria e viveria por? São essas as questões que devem perpetuar. As pessoas passam a vida preocupadas com coisas supérfluas, mas porque não podemos só olhar para dentro. Ter dinheiro é fundamental, estudar é enriquecedor, ter coisas é da nossa natureza. Mas qual é o espaço para as pessoas e seu sentimento por elas? Qual mensagem você diria, se as pessoas realmente te escutassem? E se elas realmente te escutarem? E se você puder mudar o mundo todo ou apenas o mundo de alguém, enquanto ainda vive? Certos exercícios são mais importantes do que se pensa. Você não precisa mudar tudo que não gosta na sua vida, mas dê mais importância às coisas que te fazem bem, e feliz. Parafraseando Julian Casablanca: You only live once (é o que dizem)

domingo, 10 de julho de 2011

500 dias comigo

Uma conversa de lá pra cá
Uma vontade que é daqui pra lá
Mas na verdade nada no meio disso tudo

Nossas letras e intenções
Dizemos termos com nossas invenções
Músicas e danças e filmes e distrações

Aquilo que sei que nunca terei
Como sempre foi e sempre há de ser
Com certeza aquilo que mais gostarei

Mas dessa vez gosto ainda mais
Porque dessa vez terei ainda menos
Supérfluo que já não me importa mais
nem menos.

Canto-te como se num refrão
Daqueles que na sua cabeça ficam
Daqueles que até no sono te perturbam

Leio-te como se fosse um livro
Daqueles que não devem ser lidos
De trás pra frente se possível for

Escuto-te como quem quer calar
Calar porque sei que nunca vai dizer
Aquilo que meus ouvidos esperam escutar.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A poesia do silêncio.

E eu não vou nem dizer que estou com frio.
Muito menos direi que estou ocupada.

Não vou falar que trabalho demais,
e nem que estou cansada demais.

Não gostamos de auto-piedade
muito menos de obviedade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

De jejum

Escrevo ainda sem ter comido nada. Dormi por 12 horas e ainda me sinto cansada. O frio faz um pouco isso. O frio e a calmaria. A casa aqui é silenciosa. O sofá é macio; faz a cama parecer inútil. Tem dias que a gente acorda sem saber o que está pra acontecer. Você sabe que vai ser um dia normal de trabalho, mas você simplesmente tem a sensação de que alguma coisa mudou, ou pelo menos ainda vai mudar. Engraçado que há alguns dias, quando de fato uma coisa mudou, eu não senti absolutamente nada. O meu sexto sentido não deve valer de muita coisa mesmo. As pessoas se apegam muito aos seus pressentimentos, eu me agarro muito a isso, mas será que ele só me perturba e me deixa paranóica? Será que só eu me prendo a isso e acho que é normal, mas na verdade é tudo loucura da minha cabeça? Dizem que quando você enxerga o seu futuro ele automaticamente muda. Então talvez os seus pressentimentos sejam a sua defesa. Vi isso no filme Efeito Borboleta 1. Não sei se acredito que toda a nossa vida já está escrita, e que tudo deve acontecer de uma maneira pré-determinada, mesmo que pareça ruim. Parece que algumas pessoas deixam a vida ser medíocre com esse pensamento. Elas acreditam que tudo que acontece, bom ou ruim, já estava predestinado, e elas só devem fazer o mínimo de esforço e receber tudo o que já estava escrito para elas. Eu acredito que nossa missão esteja escrita, mas cada ação, cada palavra, cada sentimento muda todo o percurso da minha vida. Talvez essas minhas escolhas já também estejam escritas, mas nunca vou escolher ficar parada esperando acontecer; isso jamais pode ter sido predestinado a ninguém, ficar parado... O mundo precisa do seu movimento, das suas atitudes, mesmo que pareçam sem valor. Qualquer ato seu modifica o mundo de uma maneira muito poderosa. Já parou pra pensar quem governa o mundo, aparentemente e sem pensar em religião? Os seres humanos. Você é um ser humano. Você tem mais participação para a salvação ou destruição do mundo do que qualquer outra coisa. Não espere as coisas acontecerem. Não leve uma vida medíocre. Procure o que te faz feliz, e que essa felicidade não machuque ninguém. Que essa felicidade seja inspiração. Procure a felicidade pela qual você viveria toda a sua vida. Aquela felicidade que quando a sua morte chegar, vai ter sido aquela que te completou e que te permitiu ir embora ainda feliz.

sábado, 2 de julho de 2011

O lagarto na beira do abismo Ou é melhor esquecer tudo isso

Aline,

O lagarto na beira do abismo
Ou é melhor esquecer tudo isso
É melhor quando ousa, ouça:
Você fala mil coisas
Tipo o lagarto
Você projeta carinho nele
Como se ele fosse um redemoinho
Pra tudo que não foi
E o que foi
E tudo que não é
E o que é
E as pessoas
E ele ao mesmo tempo parece ágil
Frágil e cruel
Traiçoeiro
Uma parte humana mais humana de você
E ao mesmo tempo
Menos
A metamorfose da menina
Sabe quando a gente sente
Um frio na barriga
Algo que dá enjoo
E que parece a beira do abismo
Eu sinto isso quando leio os seus textos
Sabe quando no sonho
A gente tem uma sensação que parece mais perto do nosso íntimo
Uma sensação descascada
Pois é


Contribuição de: Carlos Morais

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A morte.

Fiquei imaginando um título menos impactante, menos seco, e menos apelativo para esse post, mas a morte é basicamente tudo isso. Seja de uma pessoa, seja de um animal. Se você amou um alguém e esse alguém morreu, sua vida muda para sempre. Claro, a morte não tem o mesmo significado para todos. Se você que está lendo, você que eu não conheço, morrer, sinceramente, não vou sentir nada. Talvez vou me compadecer pela perda das outras pessoas, mas por você, eu não vou sentir nada. A morte só nos afeta quando nos arranca alguém que amamos. Todo o sentimento de culpa vem à tona. Tudo que você não fez pela pessoa, tudo que você não disse a ela, toda vez que você a ignorou. Como diz no topo do meu blog, cada vida e cada morte modifica o mundo de uma forma particular. Basicamente pelo fato de que se alguém que eu amo morre, a energia da minha vida muda, meus sentimentos viram outros, e sendo assim, meus atos, mesmo que sendo de forma bem difícil de enxergar, mudam. Eu modifico tudo ao meu redor. A pessoa que morreu também vai modificar o mundo. Ela vai deixar de existir, deixar de me fazer feliz ou triste, deixar de contribuir ou de destruir o mundo. Tudo muda. Mesmo que tudo pareça igual, nada está igual. Eu sempre me achei muito preparada para essa fase da vida. Muitas pessoas a minha volta ja morreram, e eu simplesmente segui em frente. O fato é que eu não amava essas pessoas (a não ser o meu pai, a morte dele foi a que mais modificou a minha vida e me fez crescer), então, eu achei que já estava preparada para a morte. Minha, ou a de outras pessoas. Mas quando ela bate à nossa porta, arrancando um amor de dentro de você, você percebe a sua impotência, percebe que não há mais nada a ser feito. Percebe que você simplesmente nunca mais vai ter outra chance de mudar as coisas. A não ser, mudar a ti mesmo. A morte é a única certeza da nossa vida. Mesmo assim, nunca estamos preparados para ela. Por que mesmo que seja o ciclo natural da vida, não parece natural alguém que você ama ser tirado do seu percurso. E a pessoa não vai voltar. Nunca. Um dia você supera, um dia a dor vira uma saudade boa. Assim que me sinto em relação ao meu pai que morreu há 13 anos. Adoro sentir saudades dele porque me sinto perto dele dessa forma. Mas até esse processo se solidificar, muito tumulto acontece dentro de você. Seja pela perda de uma pessoa, de um animal, não importa. As pessoas podem achar esquisito alguém se sentir tão abalado pela morte de um animal, mas o amor não difere. Novamente, como está escrito no topo do meu blog: não adie o que você quiser fazer. Certifique-se de que as pessoas as quais você se importa saibam disso. Que elas saibam como você realmente se sente. Porque num estalar de dedos tudo pode acabar.