segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cartas ao Alceu

Querido Alceu,

volto a escrever-te para contar-lhe um pouco mais sobre a minha experiência por essas terras.

Houve uma enchente que destruiu parte da cidade aonde encontro-me. Pessoas perderam suas casas, perderam seus familiares; o caos instalou-se na cidade. Nada mais ocupava o horário nobre do telejornal na semana do desastre. Na semana seguinte, entretanto, tudo que ocupava o horário nobre do acima citado telejornal eram notícias sobre uma festa que dura pouco mais de quarto dias. Uma festa típica desse país. As pessoas, impressionantemente, esqueceram-se do desastre. Ninguém mais comentava sobre o assunto. Talvez, somente as pessoas que sofreram com o desastre, mas elas não tinham mais o mesmo espaço na mídia. Elas não eram mais a novidade.

Essa festa é uma tradição, e a ideia de divulga-la é justificada pelo apelo comercial, por atrair turistas, ou seja, a justificativa é o dinheiro. Imaginei que esse mesmo dinheiro arrecadado obviamente seria usado para ajudar as pessoas que sofreram uma semana antes com um acaso devastador. Mas nada aconteceu. Impressionei-me com o descaso, mas ao conversar com algumas pessoas, cheguei à conclusão de que aquele descaso já estava instalado na cultura daquele povo.

Claro que, por ser um país capitalista, tudo que importa é o dinheiro. Disso não precisei de ensino superior para entender. Gostaria que houvesse um ensino superior sobre solidariedade, realidade, espiritualidade. Ninguém aqui colhe o que planta, eles plantam nada, e colhem inferno. Quanto menos eles plantam, mais eles colhem. Mas ninguém se toca disso. O povo é cego, surdo e mudo.

A semana da festa estava com a atmosfera renovada, como se toda a alegria daquele momento calasse o sofrimento do tempo que já havia passado. Não sei se isso é um jeito mais leve de se viver, ou um jeito mais imbecil condizente ao povo ignorante que nessa terra habita. Mas sei que as pessoas daqui gostam de ser assim. São felizes com sua cegueira. Todos preferem ser surdos do que ouvirem coisas ruins. Todos preferem não dizer ao dizer 'bobagens'.

Estou adorando estar por aqui. Está sendo um enriquecimento de pensamento crítico em mim. Mas acho que só em mim.

Sinto saudades de nossas conversas. Poucas pessoas daqui conhecem o tipo de conversa que não seja o vazio. Retorno em algumas semanas.

Com amor e com saudade,
Judith.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cartas ao Alceu.

Querido Alceu,

enconto-me nesse país há um mês ou pouco mais. Como havia prometido, escrevo-te para manter-lhe informado sobre a minha atual circunstância. Esse país, como qualquer outro, revela logo de cara a fragilidade de seu povo. O quanto eles trabalham, o quanto eles estudam sem parar, o quanto eles roubam, tudo isso reflete a vontade de não ter tempo para sentir. Sentir significa tornar-se vulnerável. Vulnerabilidade é o oposto de tudo que esse povo almeja, e por conta disso, é exatamente o que esse povo mais tem.

As pessoas são mecânicas e previsíveis. Até suas surpresas são esperadas. Ainda não vi nenhuma pessoa que de verdade amasse ao próximo. Aqueles que se dizem amar, o fazem por um curto período, e quando esse preíodo acaba, dizem que nunca sentiram tal apreço por tal pessoa, ou por pessoa qualquer.

As ruas, bem, as ruas são diferentes disso tudo; as ruas são coloridas, com muita vida, são cheias de animais e o ar é leve. O ambiente simplesmente não condiz como o povo que nele habita. Vejo tons que nunca meus olhos haviam tentado. O mais chocante é que as pessoas que aqui vivem não parecem enxergar os mesmos tons que eu. Tons de verde e azul. É tudo muito sistemático na vida dessas pessoas. Ouvi um rapaz na fila do supermercado, enquanto esperava para pagar o kilo de café que eu havia comprado (o café daqui parece que veio das mãos de anjos trabalhadores), dizer que todo o dinheiro que ele recebe ao mês por trabalhar muito,está sendo gasto para pagar as contas do hospital. Ele contraiu doenças gravíssimas por conta de seu estresse. Ironicamente, porque trabalhou muito.

Todos aqui falam do futuro. Estudam para terem um futuro melhor; trabalham para assegurarem o futuro. Perguntei para o empresário que falava sobre a importância de precaver-se e assim poder aproveitar o futuro, o qual estava posicionado à minha frente na fila do banco, e ele me respondeu: "Quando é o futuro, você quer saber? O futuro é tudo que acontecer desse minuto em diante." E eu endaguei: "Sendo assim, o senhor vai poder aproveitar seu futuro hoje a noite?" Egocêntrico como todas as pessoas desse país, ele cometeu a aterrorizante gafe de achar que fosse um convite indiscreto de minha parte. No meio de tanta auto-afirmação e egocentrismo, acabei sem resposta.

As pessoas daqui, como ja me disseram que uma vez disse Dalai Lama, vivem como se não fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido. Muitas dessas pessoas reclamam de seu país; bom, eu acho que o país que deveria reclamar de seu povo.

Manterei contato para dizer-lhe a quantas andam essa minha viagem à terra dos loucos/ignorantes.

Com amor,
Judith.

domingo, 19 de junho de 2011

The lizard in my mail box

There is a creature in my mail box
Its skin is colored like are the rocks
Every single cold time my front door locks
My dear pet lizard is waiting for me like a fox

It hides itself when I come in
Always wearing its funny thicky skin
My dear lizard sure enters my box of mail
Showing me how much all creatures can be frail

I tend to see similarity
It`s like me and my fragility
Me and the dear lizard in my box
We are certainly not brave like the hawks

Dear lizard, do not read my letter
It will surely not make you feel any better
My dirty different information can certainly fetter
You do not want to become, similar to myself, an adder

When I finally come home
I have my lizard in the dawn
And I don`t know where it came from
But I know it will never leave me alone

My sweet pet animal of bravery
Protector of my wealthy jewellery
Please, try and make my days flowery
And do not ever allow my nights to be teary

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Frases idiotas, reflexão pro dia todo.

"Amo a liberdade, por isso deixo livre tudo que tenho...Se voltar é por que conquistei, se não é porque nunca possuí." Alguém já ouviu frase mais estúpida que essa? Primeiramente, ninguém nunca possui outra pessoa. Pessoas fazem parte da nossa vida e ajudam a construir nossa história, mas essas pessoas nunca foram nossas. Talvez elas sejam nossa força interior, nossa vontade de viver, mas nós nunca possuiremos pessoas. Princesa Isabel já tratou de acabar com essa palhaçada. Segundo, quão possessivo é você para achar que você só conquistou alguém se esse alguém se mantiver ao seu lado até o dia de sua morte? Se alguém fez parte da minha vida, quer dizer que de alguma forma eu conquistei essa pessoa. Se ela for embora, é porque sua vida tomou outro rumo. Mas o fato dela ir embora jamais apagará tudo o que passou. Um sentimento, uma vez sentido, nunca pode ser desfeito. Se alguém te amou, esse fato nunca vai mudar. O que muda é a escolha de fazer esse sentimento perpetuar ou não. Mas essa escolha jamais vai mudar o que passou, mesmo que muitas outras coisas e pessoas passem pela nossa vida depois, o que foi vivido e sentido não pode ser apagado. Conquistar alguém não é acorrentá-lo para sempre, e sim conseguir que essa pessoa cultive um sentimento bom dentro dela, só por ter consciência de que você existe.

domingo, 12 de junho de 2011

Dia dos namorados e Anne Bradstreet

"If ever two were one, then surely we.
If ever man were lov'd by wife, then thee;
If ever wife was happy in a man,
Compare with me ye women if you can.

I prize thy love more than whole Mines of gold,
Or all the riches that the East doth hold.
My love is such that Rivers cannot quench,
Nor ought but love from thee, give recompence.

Thy love is such I can no way repay,
The heavens reward thee manifold I pray.
Then while we live, in love let's so persever,
That when we live no more, we may live ever."

terça-feira, 7 de junho de 2011

Decode me

I`m gonna write in English just because you don`t understand. It`s difficult to understand when you don`t try to read. Try to read me. Understanding comes naturally, then. But I`ll make it harder. I`ll make your life difficult and rough. I`ll write it in English. But the solution is simple, if you just google it, you`ll have the answer. Because the solution is very simple, I`m giving you the solution. Will you care enough to go through and find the solution? I`ll make this game more interesting. Faites de votre mieux and you`ll understand me. Hopefully not too deeply. `Cause no one has survived so far. When they look in, they`d like to be out. So try and decode me, but leave me with my misteries. I like them a lot. Just care enough to try, and everything will be fine.

sábado, 4 de junho de 2011

Que bom era sofrer

Bom era chorar de amor
Hoje as lágrimas secaram
Os romances já não me agradam
Bom mesmo era sofrer e sentir dor
Assim eu sabia que conseguia ainda amar
Chorar e pensar e morrer e doer e sonhar e amar

Bom era chorar de amor
Quando ainda me sentia digna
Digna daquilo que poucos sentem
Dói muito mais não doer por não sentir
Mata mais saber que não se morre por amor
Querer e dizer e quebrar e olhar e pensar e amar

Bom era chorar de amor
Hoje nada parece ser sentido
Hoje o que seria sentir é pensar
O que seria amar não passa de calcular
Desespero-me mais ao saber que não posso
Tocar e pedir e matar e reavivar e sentir e amar